Inflação ultrapassa teto e pressiona BC sobre juros
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) teve alta de 0,47% em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de desacelerar frente a variação de 0,60% de fevereiro, o aumento pressiona o Banco Central (BC) a elevar juros para conter o aumento de preços. A taxa ficou em 6,59% no acumulado de 12 meses, acima do teto de 6,5% estipulado pelo governo, o que não ocorria desde novembro de 2011. Para economistas ouvidos pela FOLHA, a situação deve levar o órgão a mostrar já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na terça e quarta-feira, que não será complacente com a inflação.
Os itens alimentação e bebidas, principalmente, e serviços continuam a ser apontados como os maiores vilões no mês passado para o consumidor. O peso dos produtos que vão para a mesa do consumidor foi de 0,28 ponto percentual dos 0,47% de IPCA, ou seja, mais do que a metade. Mesmo com a previsão de queda nos preços nos próximos meses, a opinião de economistas é de que o BC deve se posicionar contra a inflação. Principalmente depois das declarações sobre preocupação maior com o crescimento do País dadas pela presidente Dilma Rousseff, que, mal interpretadas ou não, causaram alvoroço entre empresários e investidores.
O chefe do departamento de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima, afirma que o BC terá de reagir. "Tem de elevar a taxa de juros porque, se perder o controle das expectativas (no mercado), será prejudicial para a inflação em médio e longo prazos", diz. Mesmo assim, ele acredita que há possibilidade de a taxa básica, a Selic, aumentar dos 7,25% de hoje e a inflação não ceder. "O impacto seria mais psicológico. Como se o BC dissesse, 'se precisar, vou ser mais rigoroso com a inflação, então vamos parar com a alta de preços'", completa.
Para o ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Paraná e técnico do órgão Eugenio Stefanelo, também professor de economia, se a expectativa sobre a inflação ficar deteriorada, um aumento de preços que ocorreria no futuro pode ser antecipado. Por isso, há a necessidade de elevar a taxa de juros. "Os alimentos têm uma parcela de culpa, mas não toda", conta. Ele cita como fator, por exemplo, a indexação do aumento de salários à inflação. "O valor do salário mínimo aumentou mais do que a produtividade, então gera um problema de demanda."
Ambos concordam que o combate à inflação será difícil neste momento, devido à falta de infraestrutura e ao cenário externo ainda adverso. Stefanelo lembra que a política cambial está esgotada, pois o governo mantém o dólar em torno de R$ 2, o que segura a elevação de preços, mas dificulta as exportações. Pereima afirma que, mesmo com uma alta de juros, os empresários pouco devem mudar em relação aos investimentos. O que mudaria são os custos maiores para o governo. "O impacto da alta de juros é que o Brasil tem dívida interna de R$ 2,8 trilhões. Se subir os juros em 0,5%, terá de pagar R$ 14 bilhões a mais em títulos ao mercado", projeta Pereima.



