Inflação traz medo de nova explosão de preços
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
No momento em que a inflação se mantém acelerada, o medo de que os preços voltem a subir com a velocidade registrada no passado toma conta da vida do brasileiro. Será que existe o risco de a inflação atingir os índices alarmantes da década de 1980, quando chegou a 2.500% ao ano? Será que o fanstasma das máquinas de remarcar preços, símbolos de uma época inflacionária, pode voltar?
Economistas ouvidos pela FOLHA consideram a situação preocupante, mas não acreditam numa ''explosão'' dos preços porque o cenário econômico é diferente. Índices divulgados esta semana - IPC-Fipe e do IGPM-FGV -, indicam a permanência de um cenário de inflação na economia do País.
''A origem principal da inflação é antiga e tem raíz no déficit público. Enquanto o País não reduzir o peso dessa variável, a inflação será sempre ameaçadora. No momento, o Brasil não corre o risco de reviver os anos 1980, mas a situação poderia estar melhor'', analisa o professor Antônio Eduardo Nogueira, chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina.
Como pontos positivos, o economista observa que hoje o Banco Central está mais preparado, o País registra a entrada de recursos internacionais e tem uma política de redução de juros. Falta, porém, estabelecer uma política que crie um ambiente favorável para investimentos: carga tributária baixa, desburocratização da economia, continuidade da redução dos juros, infra-estrutura e logística e qualificação dos trabalhadores.
''Mas não é isso o que a gente vê. Ao invés de o governo facilitar os investimentos, parece que atrapalha. Acabou de eliminar a CPMF e já cria uma nova contribuição. Comparando com o crescimento do PIB (que foi de 3,5% nos últimos anos), o governo gasta até três vezes mais. Diante disso, podemos dizer que é o próprio governo o grande responsável pela aceleração da inflação'', afirma Nogueira.
O economista cita que diversas outras variáveis afetam a inflação, incluindo a demanda mundial de alimentos, a crise nos Estados Unidos e o aumento do preço do petróleo. Apesar disso, Nogueira acredita numa ''crise de curto a médio prazo''. ''Na próxima safra, por exemplo, os preços tendem a estabilizar, já que deve haver desaquecimento do consumo e a produção agrícola funciona com base na lei de mercado'', diz.
Para o economista Laércio Rodrigues de Oliveira, delegado do Conselho Regional de Economia em Londrina (Crecon-PR), a aceleração da inflação é ''preocupante'', principalmente porque não é possível saber até que ponto o País conseguirá manter os atuais índices. Ele toma como exemplo o preço do petróleo.
''No início do Plano Real, em 1994, o litro da gasolina custava R$ 0,78 e hoje custa três vezes mais. Só que neste mesmo período o petróleo subiu dez vezes mais. Quer dizer que, por enquanto, alguém está pagando esta conta. Não sei se a Petrobras ou o governo federal'', observa. O risco, segundo o economista, é de uma aceleração maior da inflação caso o aumento real dos combustíveis chegue ao consumidor. ''Isso vai ser repassado para os custos de produção e daí ninguém segura''.
Segundo a economista Maria Eduvirge Marandola, professora da Unifil, a intensidade dos índices da inflação daqui para a frente vai depender da política econômica adotada pelo governo. ''Ainda é cedo para dizermos se os preços podem voltar a subir nos patamares do passado, mas sou otimista e acredito que não'', diz.
A economista observa que, em primeiro lugar, o governo deveria conter os próprios preços. ''O governo foi um dos causadores da inflação quando reajustou o preço do petróleo. Poderia ter esperado um pouco mais, já que o combustível é uma variável importante'', afirma.
Como a memória inflacionária pode influenciar na alta dos preços
- Não se deve comprar produtos para estocar, pois pressiona a demanda e contribui para a alta dos preços
- Não criar expectativas em relação à inflação, pois isto faz com que os contratos (habitação e outros) se realinhem em patamares superiores
- Substitua produtos caros pelos mais baratos, pois assim acirra a concorrência e retira a marca líder de foco


