A inflação subiu num ritmo mais acelerado e chegou a 1,42% em junho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe). Essa é a maior alta registrada pela pesquisa desde abril de 1996, quando o índice havia subido 1,62%. A inflação em maio havia sido 0,55%.
A variação de junho ficou acima da expectativa dos técnicos da Fipe. Eles esperavam que, com provável recuo nos reajustes dos preços das roupas, o custo de vida não subisse mais do que 1%, mas isso não aconteceu. As lojas reajustaram as roupas em 2,69%.
O que mais pressionou a inflação, porém, foram as tarifas públicas. Só os gastos com telefone, energia elétrica e transportes contribuíram com 0,84 ponto porcentual. O consumidor gastou em média com telefone 47,32% mais do que um mês antes. As despesas com ônibus aumentaram 9,91% e com energia elétrica, 2,59%. O restante da inflação foi decorrente da recuperação dos preços da comida, que haviam recuado 1,37% em maio, e dos aumentos do vestuário.
No item alimentação, que subiu 0,93%, o que mais pesou foi o aumento de 2,17% no custo dos alimentos semi-elaborados. Essa elevação foi provocada pela alta do preço do leite. O leite especial passou a custar em média 12,13% mais e o leite tipo B subiu 11,19%. Os preços das verduras também tiveram correções acima da média. Mas os produtos in natura haviam ficado 6,5% mais baratos em maio e a tendência era de recuperação em junho, analisa o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do IPC.
Roupas A maior surpresa, segundo o economista, foi o comportamento dos preços das roupas. Nos anos anteriores, a variação em junho ficava muito próxima de zero. Este ano os preços estão recuando mais lentamente. Para Carmo, isso deve ter acontecido porque em três anos os preços das roupas subiram apenas 7,05%. ‘‘O vestuário perdeu muito em preços relativos com o real’’, observa. Além disso, a temperatura baixa na maior parte dos dias de junho, na sua opinião, contribuiu para elevar as vendas e os lojistas aproveitaram para manter os preços.
Apesar da alta de junho, a tendência, prevê o economista, é de recuo da inflação nos próximos meses. A previsão para julho é de uma variação de 0,5%.

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