Inflação supera centro da meta do BC
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sábado, 10 de dezembro de 2005
Pedro Soares<br>Folhapress 
Rio de Janeiro- A um mês da divulgação do último resultado do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassou o centro da meta oficial de inflação para este ano - 5,1%, com tolerância de 2,5 pontos para cima ou para baixo. O índice acumulado no ano ficou em 5,31%, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2004, a taxa chegou a 7,6%.
Em novembro, o IPCA ficou em 0,55% - 0,20 ponto percentual abaixo da marca de outubro (0,75%). O recuo foi provocado pela menor pressão dos preços dos combustíveis, de acordo com o IBGE. O resultado ficou na média das expectativas do mercado, cujas previsões apontavam para uma taxa de 0,40% a 0,65%.
Para cumprir o centro da meta em 2005, o IPCA terá de registrar uma deflação de 0,20% em dezembro, hipótese pouco provável, na avaliação de especialistas. Para ficar nos 5,7% projetados pelo pelo Ipea, o índice precisará variar 0,37%, o que é mais factível, dizem.
A inflação perdeu fôlego de outubro para novembro por causa do fim da pressão do aumento da gasolina, que subiu 10% na refinaria em 10 de setembro. O combustível, que havia aumentado 4,17% em outubro, teve ainda uma alta residual de 0,83% em novembro.
Com a menor pressão da gasolina, o grupo transporte foi responsável por conter a variação do IPCA: registrou alta de 0,66%, menos do que os 2,21% de setembro.
Por outro lado, as fortes chuvas que atingiram especialmente o Sudeste provocaram aumento nos preços dos alimentos in natura, que sofreram com a quebra das lavouras. Entre os preços que subiram com força, estão os da batata (43,89%), tomate (36,03%) e cebola (18,03%). Os alimentos passaram de uma alta de 0,27% em outubro para uma variação positiva de 0,88% em novembro.
Para a gerente da Coordenação de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes do Santos, essas pressões foram ''pontuais'' e ''concentradas'' em poucos itens.
Já Alexandre Sant'Anna, economista da ARX Capital, diz que o IPCA ficou dentro do previsto e que os núcleos (observados pelo Banco Central na execução da política monetária) tiveram variações modestas, na casa de 0,30%.


