Inflação sobe e atinge 10% em 12 meses
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terça-feira, 10 de abril de 2001
Agência EstadoDo Rio 
A inflação de março medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) ficou em 0,80%. O número superou os 0,34% de fevereiro e todas as expectativas do mercado para o IGP-DI, que, segundo pesquisa do Banco Central divulgada na última sexta-feira, eram de 0,50%, em média. O IGP-DI acumulado neste ano está em 1,64% e, em 12 meses terminados em março, em 10,06%.
Diante do surpreendente resultado, o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Melo Cota, reviu para cima suas previsões de inflação para 2001. Para os Índices Gerais de Preço calculados pela FGV, a previsão de Cota aumentou de entre 4% e 4,5% para entre 4,5% e 5%, e para os índices de preços ao consumidor (IPCs) da FGV, ele prevê agora 4,5% e não mais 4%. Cota observou que esses novos números se baseiam na hipótese de a cotação do dólar estabilizar em cerca de R$ 2,15.
Cota explicou, porém, que o efeito da alta do dólar em março só vai repercutir nos preços este mês e, assim, disse, o aumento do IGP-DI em março não ocorreu por causa do dólar. Segundo Cota, o motivo principal para a alta foi a grande aceleração dos preços agrícolas no atacado, cuja variação passou de 0,30% em fevereiro para 3,03% em março.
Cota afirmou que a alta dos produtos agrícolas teve motivos diversos. Um deles foi o início da entressafra do leite, que subiu 5,26%. As doenças da vaca louca e febre aftosa no exterior também contribuíram para aumentar os preços no Brasil ao ajudar o aumento das exportações de carnes, o que diminuiu a oferta interna dos bovinos, que subiram 2,12%. A proximidade da Páscoa, elevou os preços dos ovos, que são matéria-prima para o chocolate e encareceram 10,65%. A falta de chuvas afetou a oferta de feijão (alta de 17,61%) e de laranja (6,75%).
A alta dos produtos agrícolas elevou o Índice de Preços por Atacado (IPA) de 0,31% em fevereiro para 1,01% em março. Além disso, a inflação dos produtos agrícolas no atacado afetou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que subiu de 0,40% para 0,56%, respectivamente.
Segundo Cota, o grupo alimentação, com alta de 1,41%, foi responsável por 0,35 ponto percentual do total de 0,56 do IPC-DI. Cota observou ainda que álcool e gasolina caíram nos postos durante o mês de março, antes mesmo da redução dos preços nas refinarias. A gasolina diminuiu 0,30% nos postos e o álcool barateou 2,52% no atacado e 1,88% nos postos. Ele prevê que em abril IGP-DI, IPA e IPC-DI continuem nos mesmos patamares de março, com alguma redução dos preços dos produtos agrícolas no atacado.
O técnico considera que uma queda dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está fora das expectativas e que a taxa básica de juros, a Selic, poderá ser mantida ou aumentada.


