A inflação oficial teve aumento de 0,69% em fevereiro, maior resultado para o mês desde 2011, quando foi de 0,80%. A variação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi puxado pelo reajuste nas mensalidades escolares, que representou 0,22 pontos percentuais (p.p.), ou quase um terço do indicador.
Apesar de o acumulado do ano da inflação estar em 1,24%, abaixo do 1,46% do ano passado, economistas demonstram preocupação. O Banco Central (BC) promoveu seguidos reajustes na taxa básica de juros, a Selic, mas o reflexo no IPCA foi considerado pequeno e ainda prejudica qualquer tentativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, lembra que a Selic está em 10,75%, quase 4 p.p. acima dos 7,25% do início do ano passado. "E mesmo assim temos essa inflação, o que é cada vez mais preocupante porque o índice pode ficar muito perto do teto da meta do governo", diz.
O BC trabalha com projeção de 4,5% para o IPCA no ano, com possibilidade de variação entre 2,5% e 6,5%, mas a pressão inflacionária deve fazer com que o BC eleve mais os juros nos próximos meses, diz Antunes. O problema é que isso implica em aumento do custo com o crédito e diminui o ímpeto de investimentos no País. Para ele, apenas o corte de gastos do governo, por meio de reforma fiscal, poderia mudar o cenário.
Para o professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) José Moraes Neto, porém, a política de juros do BC não dá resultado porque é limitada. "Isso afeta mais os produtores de bens de consumo, mas não o setor de serviços, que não tem concorrência externa e é o que tem sofrido maior inflação nos últimos tempos", diz o economista, que crê em reflexo de questões sazonais no IPCA de fevereiro.
Ele afirma que somente um planejamento do governo para elevar a produtividade no País, com avanços tecnológicos, treinamento de mão de obra e consequente redução de gastos e preços poderia conter a inflação. Ele critica ainda o fato de o BC elevar juros para conter a inflação, o que faz com que tenha maior gasto no pagamento da dívida pública e necessite gerar maior superavit primário.

Por grupos
O item Educação teve alta de 5,97% em fevereiro e foi responsável por 0,27 p.p. do IPCA do mês, com forte peso da alta das mensalidades, de 7,64%. Na sequência aparece Alimentação e Bebidas (0,14 p.p.), principalmente pela alta causada por fatores climáticos em produtos como hortaliças e verduras, com 11,42% em fevereiro, além de 6,01% em janeiro, e tomate, com 10,70% em fevereiro depois de queda de 10,43% em janeiro.
A cebola e a cenoura encareceram pouco mais de 3% em fevereiro, mas totalizam mais de 20% no ano. Ainda, o serviço de alimentação fora de casa também passou a custar mais do que em janeiro. A alta foi de 1,21%, puxada pelos itens refeição (1,20%), lanche (1,35%), café da manhã (2,14%), refrigerante (0,87%), cafezinho (2,01%) e cerveja (1,23%).
Em Artigos de Residência, o índice foi para 1,07% ante 0,49% em janeiro. O destaque ficou para mobiliário (1,20%), cama e mesa e banho (1,33%) e eletrodomésticos (1,78%). O grupo Habitação passou de 0,55% em janeiro para 0,77% em fevereiro, com pressão de aluguel (1,20%), condomínio (0,80%) e mão de obra para pequenos reparos (0,99%).
Por outro lado, Vestuário (de -0,15% em janeiro para -0,40%) e Transporte (de -0,03% para -0,05%) apresentaram queda, devido à continuidade nas promoções em lojas de roupas e queda nas passagens aéreas de 20,55%.

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Imagem ilustrativa da imagem Inflação sobe 0,69% puxada por mensalidades escolares
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