Inflação será maior que 5,5% em 2004
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - O governo federal divulgou ontem relatório no qual assume oficialmente, pela primeira vez, que a inflação de 2004 deve ficar acima dos 5,5% fixados como meta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com as projeções realizadas pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e que servem de parâmetro para a programação orçamentária, o IPCA deve terminar o ano em 6,37% e o IGP-DI, em 8,50%.
Ambas as estimativas enquadram-se nas novas expectativas do mercado, que nas últimas semanas passou a esperar uma leve aceleração da inflação em razão das turbulência internacionais, mas choca-se com as projeções e com o discurso da cúpula do Banco Central (BC). Tanto o presidente do BC, Henrique Meirelles, quanto o diretor de Política Econômica, Afonso Bevilaqua, têm insistido que a política de juros continua ''mirando'' a meta de 5,5%.
Até dez dias atrás, os analistas projetavam um IPCA de 6,17% no fim do ano, mas a pesquisa feita na sexta-feira e divulgada ontem pelo BC já apontava uma alta de 6,36% - quase idêntica ao número estimado pela secretaria.
Apesar de ajustar-se às expectativas do mercado sobre a inflação, o Ministério da Fazenda não reconhece que o ritmo da queda na taxa de juros será mais lento, como prevêem os analistas. Ao contrário: o relatório enviado ao Congresso prevê que a taxa Over-Selic chegará a 13% no final do ano, e não mais em 13,84%, como o próprio governo apontava em março.
No mercado, a expectativa é de que os juros cairão para apenas 14,5% em dezembro. Há um mês, essa expectativa era de que a Selic chegaria a 14% no final do ano. Já com relação à taxa de câmbio, o governo reduziu de R$ 3,19 para R$ 3,11 a projeção para dezembro. Enquanto isso, a pesquisa feita pelo BC no mercado aponta alta de R$ 3,05 para R$ 3,08, em comparação com a estimativa feita pelos especialistas no mês passado.
O Ministério da Fazenda continua apostando que o PIB vá crescer em torno de 3,5% em 2004, mas admite uma queda brusca na taxa de crescimento da massa salarial. No relatório de março, o governo esperava que o volume de salários do País cresceria 13,74% neste ano, mas as novas projeções apontam para uma alta de apenas 8,35%.


