Inflação resiste e divide mercado
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Agência Estado 
Brasília - O mercado financeiro elevou, pela 11 semana consecutiva, suas estimativas para a inflação deste ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Elas aumentaram de 6,30% para 6,39% em pesquisa semanal Focus, que o Banco Central (BC) faz com mais de uma centena de instituições financeiras. A meta do governo é uma inflação de 5,1%. A resistência da inflação divide as apostas do mercado sobre a decisão sobre taxas de juros que será tomada amanhã. O Comitê de Política Monetária (Copom) começa hoje sua reunião mensal.
O resultado da pesquisa Focus ainda indica a maioria dos agentes de mercado esperando que o juro permaneça estável em 19,50%. No entanto, uma boa parcela espera uma elevação de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros.
A perspectiva de mais inflação e mais juros afetou também as projeções para o crescimento econômico neste ano. Pela terceira semana consecutiva, o Focus reduz sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), agora para 3,50%. Na semana passada, a projeção era de um crescimento de 3,60%. No Relatório de Inflação divulgado ao final de março, o BC trabalhava com uma previsão de crescimento econômico neste ano de 4%. As estimativas de mercado para o aumento do PIB em 2006, entretanto, ficaram estáveis em 3,50% pela segunda semana consecutiva.
Os defensores da tese de manutenção dos juros estáveis apontam a melhora das expectativas de inflação em 12 meses à frente como um fator suficiente para evitar novas altas. Estas expectativas foram revistas para baixo na pesquisa divulgada ontem, de 5,85% para 5,46% depois de terem ficado estáveis no levantamento anterior.
Uma outra parcela de economistas acredita, em contrapartida, que o Copom será obrigado a elevar os juros em mais 0,25 ponto porcentual se quiser evitar que a elevação da inflação corrente venha a afetar as expectativas de mais longo prazo para o comportamento dos preços. Apesar do temor, as previsões de inflação para 2006 vêm se mantendo estáveis em 5% na pesquisa semanal do BC por 52 semanas seguidas.


