A aceleração da inflação está encolhendo cada vez mais o juro real, a margem do rendimento acima da inflação, obtido pelo investidor nas aplicações financeiras. O tamanho do ganho real ou da perda vai depender, contudo, da inflação escolhida para o cálculo. Há uma diversidade de indicadores de comportamento de preços e ampla disparidade entre eles. O mais elevado deles é o IGP-M, que acumula alta de 20,77% no ano, até novembro, e o mais baixo, o IPC-Fipe, de 7,94%.
Todas as aplicações, exceto os ativos como dólar e ouro, perdem da inflação de 20,77% medida pelo IGP-M, no ano. As opções de renda fixa, incluída a caderneta, com rendimento de 8 20% até novembro, estão andando acima da inflação de 7,94%, espelhada no ano pelo IPC da Fipe. O desempenho já não é tão bom diante do IPCA, a inflação que o Banco Central mira para calibrar a taxa primária de juros, a Selic. A caderneta, com ganho nominal de 9,14%, de janeiro a dezembro, já rende menos que a inflação de 10,22% acumulada pelo IPCA no ano até novembro. Os fundos de investimento, DI e renda fixa, carregam parcela de juro real, mas inferior à estimada no início do ano e à corrente em 2001.
O gerente da Divisão Private Banking do Sudameris, Eduardo Santalúcia, comenta que o rendimento de 9,14% da caderneta este ano, que já é inferior ao IPCA até novembro, deverá ficar bem abaixo do estimado de 12% para o acumulado desse indicador no ano. No caso dos fundos DI e renda fixa, Santalúcia diz que aqueles com rendimento acima de 78% do CDI no ano estão proporcionando ganho acima do IPCA ao aplicador. Por suas contas, o juro líquido do CDI fechará o ano com ganho próximo de 15,30%.

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