Rio - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) registrou o maior porcentual do Plano Real, ao atingir 2,81% na segunda prévia de outubro, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas. A préviaacompanhou a evolução de preços de 21 de setembo a 10 de outubro. Embora na segunda prévia de agosto de 1994 tenha sido registrada uma taxa mais elevada, de 7,12%, o economista Salomão Quadros, da FGV, explica que, naquele caso, os preços ainda estavam ‘‘carregados’’ pela inflação do período pré-Real, que alcaçavam 40% ao mês.
  O resultado continuou fortemente influenciado pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem peso de 60% no cálculo da taxa e subiu 4,04%. Este saldo superou em muito os 2,55% da segunda prévia de setembro e também foi recorde no Real. Quadros acredita que o IGP-M fechado de outubro deve ficar em torno de 3%, o que só não será recorde porque em fevereiro de 1999 a taxa mensal registrou 3,61%, influenciada pela alta de preços no final daquele mês, devido à desvalorização cambial em janeiro daquele ano. ‘‘Está acontecendo uma subida vertiginosa do IPA em decorrência principalmente dos bens de produção, que englobam as matérias-primas’’, diz Quadros. Com preços essencialmente ditados pelo dólar, estes gêneros estão apresentando os focos mais intensos de aumento. O melhor exemplo é o trigo, que apresentou no período elevação de 30,92%, prenunciando futuros aumentos ao consumidor de produtos como pão francês, macarrão, biscoitos e outros derivados.

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