Rio - Pressionada por um mercado doméstico ainda aquecido, a inflação corre o risco de encerrar 2011 acima do teto da meta inflacionária, de 6,5% ao ano. O alerta foi feito por economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a partir de informações coletadas para o Boletim Macro Ibre, nova publicação mensal da entidade lançada ontem no Rio.
Em sua edição de maio, o boletim projeta alta de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano em comparação com o quarto trimestre do ano passado. O dado oficial será anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 3 de junho. Para o economista da instituição, Regis Bonelli, a estimativa de elevação ainda é expressiva. Esta projeção refletiu a constatação, por parte dos economistas do Ibre/FGV, de que mesmo com as medidas macroprudenciais lançadas pelo governo de elevação de juros e de contenção de crédito, a economia doméstica ainda se encontra relativamente aquecida - o que seria um sinal de alerta importante para compor as expectativas de inflação em 2011.
Segundo Bonelli, a projeção do Ibre/FGV para o PIB acumulado em quatro trimestres até o primeiro trimestre de 2011 é de 6,3%, um patamar ainda elevado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2010, o PIB do primeiro trimestre deste ano deve subir 4,2%, de acordo com a entidade. ''As medidas do governo estão surtindo efeito, mas de forma muito lenta. Acredito que possam conduzir a um desaquecimento do mercado doméstico, mas de forma muito gradual'', assinalou Bonnelli.
Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, o IPCA em 2011 deve ficar muito próximo ao teto da meta inflacionária para este ano, de 6,5% - mas há risco de se superar o teto. ''Creio que vai ficar dentro do teto da meta. Mas que há um risco, há'', admitiu. Quadros observou que o avanço nos preços de serviços não comercializáveis, como manicure, dentista e funerária, continua intenso no varejo. O setor deve ser determinante para que a inflação em 2011 supere ou não o teto da meta.
''O importante é que o combate à inflação seja feito de forma contínua e persistente. Isso ajuda a diminuir as expectativas inflacionárias'', avaliou Quadros. No que concerne a aumento da taxa de juros, a projeção do Ibre é de elevação dos atuais 12% (Selic) para até 12,50% até o fim do ano.

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