Inflação pode subir até 0,45 ponto
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sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - O aumento no preço da gasolina e do diesel anunciado ontem pela Petrobras terá impacto de 0,29 a 0,45 ponto porcentual na inflação, dependendo do reajuste aplicado pelos postos de combustíveis, já que se trata de um mercado livre. Apesar disso, boa parte das consultorias e economistas não alterou as projeções para o IPCA neste ano.
Na avaliação do presidente do Conselho Regional de Economia, Heron do Carmo, o reajuste tira um fator de incerteza sobre o comportamento futuro da economia e dá segurança de uma trajetória cadente da inflação a médio prazo. Para ele, o impacto do aumento no IPCA será de 0,4 ponto porcentual, o que permitirá que o índice feche em torno de 5,5% no ano.
''Foi muito bom esse reajuste ter sido anunciado ainda neste ano'', disse Heron, especialista em índices de preços. A Petrobras vinha sendo criticada por não ter repassado a alta do petróleo para seus preços. Este foi o primeiro reajuste em 2005. Heron acredita que o Banco Central terá mais segurança para iniciar as reduções das taxas de juros neste mês.
O consultor Fabio Silveira, da MS Consult, calcula que o impacto do aumento na inflação medida pelo IPCA seja de 0,45 ponto porcentual, mas dividido em dois meses, com algo em torno de 0,2 ponto neste mês. Isso porque o reajuste começa a valer a partir de hoje e, portanto, tem efeito sobre 15 dias de setembro. ''O momento foi adequado para o reajuste porque a inflação deste ano está em baixa e aumento não contaminará os indicadores no próximo ano'', diz Silveira.
A consultoria Global Invest estima que, se o repasse para o consumidor for de 7,0%, o impacto total no IPCA será de 0,29 ponto percentual, sendo 0,20 ponto em setembro e 0,09 ponto em outubro. Segundo os economistas da consultoria, o anúncio da Petrobras não altera a estimativa de inflação para este ano porque os preços dos alimentos estão com queda mais forte do que o esperado. O reajuste também não altera a projeção da Global Invest de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em setembro.


