A inflação para os idosos fechou o terceiro trimestre em 0,46%, índice bem inferior ao registrado no segundo trimestre, de 1,70%. Em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), medido pelo Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), acumula alta de 6,70%, abaixo dos 6,97% acumulados pelo IPC-BR (índice geral da inflação medido pela FGV) e também inferior ao Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) do IBGE, que somou 6,75% no período.
Segundo o economista do Ibre, André Braz, a redução nos preços dos alimentos foi o principal motivo da desaceleração do índice, já que esses gastos comprometem 20% da renda dos idosos. Enquanto no segundo trimestre o aumento médio dos alimentos havia sido de 1,31%, agora houve deflação de 0,62%. "A maior contribuição veio das hortaliças e legumes que, em média, caíram 25% nos últimos três meses", explica Braz.
Pesaram ainda no grupo alimentação os aumentos menores das carnes bovinas - apesar da alta recente - e dos panificados e biscoitos, que chegaram a subir mais de 2% no segundo trimestre e agora registraram variação pouco acima de zero. Outro grupo que teve papel importante na desaceleração do índice foi o de habitação.
"Despesas como condomínio, água e esgoto e empregados domésticos avançaram menos do segundo para o terceiro trimestre", destaca Braz. O grupo saúde foi outro que reduziu sua aceleração de 2,73% no segundo trimestre para 1,07% agora. Isso porque, no período anterior, o levantamento havia captado o reajuste médio dos medicamentos, o que causou impacto de 3,7% no índice.
"Essa é uma despesa grande no orçamento dos idosos e não tivemos reajustes dessa magnitude no terceiro trimestre", explica Braz. Para o quarto trimestre do ano o economista prevê crescimento no IPC-3i, por questões sazonais, como clima e aumento dos preços administrados (energia elétrica e gasolina, por exemplo). No entanto, ele acredita que o índice não atinja os 2,10% registrados no último trimestre de 2013 e a inflação para os idosos feche o ano próxima de 6,50%.

Queda geral
Os outros cinco segmentos avaliados pela FGV/Ibre também pontuaram quedas do segundo para o terceiro trimestre. Os preços dos itens do vestuário registraram deflação de -0,59% contra 1,92% no período anterior; comunicação saiu de uma aceleração de 0,19% para queda de -1,08%; despesas diversas caíram de 2,46% para 0,30%; transportes registraram 0,51% contra 0,76% no segundo trimestre; e educação, leitura e recreação baixaram de 0,11% para 0,07%.
Dentro dessas classes de despesa, vale citar o comportamento dos itens condomínio residencial (3,03% para 0,46%), medicamentos em geral (3,65% para -0,29%), roupas (2,07% para -0,96%), tarifa de telefone residencial (-0,10% para -2,92%), loterias (8,74% para 0%), tarifa de táxi (2,17% para 0,31%) e hotel (8,71% para -3,31%). O IPC-3i calcula a variação de preços sentida por famílias com pelo menos 50% dos indivíduos de 60 anos ou mais de idade e renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos.

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