Inflação para baixa renda vai a 11% em 12 meses
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terça-feira, 08 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local
A inflação para famílias com rendimento mensal de até 2,5 salários mínimos, ou R$ 1.970, foi de 1,06% em novembro e chegou a 11,22% em 12 meses, conforme o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado indica o maior peso da alta nos preços para a baixa renda, já que a média no Brasil, calculada pelo mesmo instituto, ficou em 10,39% para 12 meses, o que tende a elevar a desigualdade social.
No IPC-C1, é analisada a inflação relativa às famílias com renda mensal de um a 2,5 salários mínimos. O índice é importante para se determinar a variação de preços entre pessoas de menor poder aquisitivo, porque os gastos com alimentação, por exemplo, costumam ser maiores quanto menor o salário.
A média dos gastos de brasileiros com alimentação em relação ao rendimento é de 19%, mas, entre os de baixa renda, chega a 45%, diz o professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugenio Stefanelo. Para os mais ricos, fica entre 8% e 12%, considera.
Somente a classe de despesa que vai à mesa dos brasileiros teve alta de 2,32% em novembro e de 12,01% em 12 meses. Os principais vilões foram os itens hortaliças e legumes, que foram de queda de 12,36% em outubro para alta de 22,92% no mês passado.
Stefanelo explica que os produtos de hortifrúti têm ciclo rápido, de 45 a 90 dias entre a plantação e o ponto de venda, e são sensíveis a excessos de calor ou de umidade. "Desde meados de outubro tivemos de três a cinco vezes mais chuvas do que a média para a época", diz.
Para o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, as maiores elevações se dão sempre na base da pirâmide também em outras classes de produtos. "Por mais que algumas famílias tenham alguns subsídios sociais em tarifas, como na energia elétrica, as taxas aumentaram muito e elas sentem esse peso", conta. "Como precisam gastar mais no básico, ficam com menos recursos disponíveis para outros bens e param de consumir roupas, por exemplo", completa.
Apesar da desaceleração em relação a outubro, os custos da classe Habitação somam alta de 14,84% em 12 meses e a de Transportes, de 13,12%. Completam a lista Despesas diversas, com 9,41%, Saúde e cuidados pessoais, 8,07%, Educação, leitura e recreação, 7,23%, Vestuário, 3,15%, e Comunicação, 1,62%.
A inflação maior para famílias de baixa renda tende a elevar a desigualdade, considera o pesquisador André Braz, da FGV. "Essas famílias estão menos protegidas contra aumentos de preços. Você dá com uma mão, a inflação tira com a outra", explica. Antunes vê retrocesso neste ano em relação ao aumento do poder de compra dos mais pobres nos últimos dez anos. "As classes mais baixas são as grandes perdedoras da crise pela qual passamos."
Como resultado, a tendência é que o trabalhador opte por marcas mais baratas e diminua o consumo. "Sempre que a inflação aumenta, em qualquer país, há maior concentração de renda. Por isso que se diz que a inflação é o imposto mais perverso que existe, porque tira dinheiro de quem não tem, pela perda de poder aquisitivo, e dá para quem tem, pela alta de juros reais", afirma Stefanelo.
Situação que só deve melhorar no fim do segundo semestre de 2016 ou início de 2017. "A crise econômica é profundamente alimentada pela política e não vejo solução em médio prazo", diz o presidente do sindicato de economistas.