Rio - A inflação sentida pelas famílias de baixa renda perdeu força, entre maio e junho. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos mensais. Em junho, a alta foi de 1,29%, ante taxa de 1,38% em maio. As informações foram anunciadas ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
  Porém, nos seis primeiros meses do ano, o IPC-C1 acumula taxa de 5,97%. Nos últimos 12 meses, a variação atinge 9,11% - o maior nível registrado para esse tipo de índice na série histórica do indicador. O IPC-C1 continua a superar o IPC-BR (que mede a inflação entre as famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos) nas taxas mensal, anual e acumulada nos últimos 12 meses. O IPC-BR, subiu 0,77% no mês passado - e registrou, até junho, taxas de 3,84% no ano e 5,96% nos 12 últimos meses.
  Das sete classes de despesa pesquisadas para cálculo do índice, três apresentaram desaceleração de preços. Foi o caso de Alimentação (de 2,85% para 2,50%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,28% para 0,65%); e Vestuário (de 0,76% para 0,55%). Já outros três grupos apresentaram aceleração ou fim de deflação de preços, como Habitação (de 0,37% para 0,67%); Educação, Leitura e Recreação (de -0,48% para 0,17%); e Despesas Diversas (de 0,00% para 0,05%). O grupo Transportes, permaneceu com inflação estável.
  Segundo avaliação do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, a perda de força na elevação de preços de alimentos in natura e de derivados de trigo contribuiu para a leve desaceleração do IPC-C1.
  De acordo como economista, houve desacelerações de preços do pão francês (de 5,42% para 1,79%); macarrão (de 4,41% para 2,68%); e hortaliças e legumes (de 9,86% para 0,96%). Ele destaca também outros itens que tiveram desaceleração e aumentos pouco expressivos, como óleo de soja (de 1,94% para -1,70%); e leite (de 2,82% para 0,53%). Para Braz, o refluxo da taxa não é motivo de comemoração, uma vez que esta foi a segunda maior taxa mensal da série histórica do índice, iniciada em 2004, perdendo apenas para a taxa apurada em maio deste ano, que foi de 1,38%.
  Para André Braz, o IPC-C1 pode terminar o ano de 2008 com taxa duas vezes maior do que a apurada pelo IPC-BR. ‘‘A distância entre os dois índices está aumentando, e isso pode continuar’’, admitiu ele.
  Na opinião do economista, alguns fatores podem contribuir para impulsionar o IPC-CI nos próximos meses. É o caso dos preços das carnes, por exemplo. Segundo Braz, os preços das carnes bovinas acumulam elevação de 44,13% em 12 meses até junho. Esse desempenho deve-se principalmente a aumentos de preços em carnes de segunda, mais consumidas entre a população de baixa renda. É o caso das taxas de inflação acumuladas, em 12 meses até junho, nos preços de costela (50,51%); acém (59,39%); carne moída (47,19%); fígado ( 48,23%); músculo ( 46,23%); e paleta (65,27%). ‘‘Todas essas variações foram acima da média mensurada pelo total de carnes bovinas’’, afirmou.

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