'Inflação oficial' fecha 99 em 8,94%
Agência Estado
Do Rio
A inflação de 1999 medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial das metas inflacionárias do governo, chegou a 8,94%, ficando 7,29 pontos percentuais acima da de 1998 (1,65%). O IPCA é calculado pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice ficou acima da meta para o ano passado (8%), mas dentro da margem de variação de dois pontos, para cima ou para baixo, admitida pelo governo. Para este ano, a meta é de 6%, podendo também variar dois pontos para cima ou para baixo. Em dezembro, o IPCA variou 0,60%, contra 0,95% em novembro.
De acordo com a equipe técnica do IBGE, uma combinação da desvalorização cambial com a alta das tarifas públicas, mais o aumento dos preços das commodities (matérias-primas) internacionais e a estiagem do segundo semestre foram os principais responsáveis pelo aumento da inflação em 99. Para Eulina Nunes dos Santos, gerente de Projetos de Indices de Preços do IBGE, o resultado do IPCA no ano em que a moeda brasileira foi desvalorizada em mais de 50% mostra que a desindexação foi para valer.
Para ela, as previsões pessimistas sobre a volta da inflação feitas após a desvalorização, em janeiro do ano passado não levaram em conta quais seriam os reais efeitos da mudança sobre os custos de cada produto, preferindo apostar na permanência da memória inflacionária. A evolução mensal do IPCA ao longo de 99 mostrou momentos de pico intercalados por períodos mais longos de quedas. O primeiro pico ocorreu em fevereiro e março (respectivamente, 1,05% e 1,10%) e refletiu, segundo o IBGE, o momento imediatamente após a desvalorização cambial. Seguiram-se três meses de queda e novo pico em julho (1,09%), resultado dos aumentos das commodities, dos combustíveis, medicamentos e de tarifas como as de energia elétrica, telefonia e de gás de cozinha.
O novo pico veio em outubro, quando se registrou o IPCA mais alto do ano (1,19%), resultado, principalmente, da combinação do aumento de preço do álcool combustível com a estiagem e o aumento dos carros novos. Os dados do IBGE mostram que no ano os maiores aumentos foram da gasolina (52,23%), do papel higiênico (50,25%), do gás de cozinha (44,18%) e do álcool (37,25%), todos produtos não-alimentícios.
O IPCA acumulado de 1º de janeiro de 1994 a 31 de dezembro de 1999 representa uma alta de preços de 85,30%. Os aluguéis habitacionais foram os maiores vilões do período, com alta de 390,64%.Índice supera meta do governo mas ainda está dentro da margem de dois pontos percentuais admitida no acordo com o FMI
Arquivo FolhaUM DOS VILÕESJulho marcou um dos três picos da inflação medida pelo IBGE no ano passado, com impacto expressivo do preço dos medicamentos na composição do índice





