Inflação no Paraná sobe acima da média nacional
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quarta-feira, 05 de setembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de agosto com alta de 0,58% no Paraná, acima da média de 0,41% no País, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta, tanto nacional quanto estadual, é explicada principalmente pela seca e pela maior exportação de produtos agrícolas, como soja e milho, o que elevou o preço dos alimentos. Porém, a pesquisa em 11 capitais aponta que a alta foi multisetorial e, no Paraná, atingiu sete dos nove grupos registrados.
A redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e na taxa Selic, que serve de base para juros bancários, também é causa da leve inflação. Apesar de gerarem baixa nos preços, que já foram absorvidas pelo índice em meses anteriores, aumentam a demanda do consumidor. Assim, há uma tendência das empresas em cortar outros pequenos descontos oferecidos, o que ajuda a explicar a alta de 0,53% em produtos de residência, como móveis e eletrodomésticos, na capital parananese.
A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes, afirma que a seca do inverno brasileiro causou alta de preço em produtos como tomate, cenoura e alho. O mesmo problema climático nos Estados Unidos levou o Brasil a exportar mais milho e soja, o que influenciou no custo de farelo, usado em ração, e no óleo. Por isso, o preço do frango também aumentou. ''O vestuário, pelo fim das liquidações, também influenciou'', diz.
Com acumulado em 12 meses de 5,24% e desde janeiro de 3,18%, o IPCA brasileiro está dentro do esperado, diz o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki. Ele conta que a previsão do governo é de ficar entre 4,5% e 6,5%, considerado um ''teto aceitável''. Porém, ele acredita que fique abaixo dos 6,5% de 2011. ''O PIB (Produto Interno Bruto) vai crescer menos neste ano, então a tendência é que não ocorra risco inflacionário pela pressão de preços'', prevê Suzuki.
O representante do Ipardes afirma que o acumulado de 12 meses do Paraná foi de 5,22% e do ano, de 3,2%, números muito próximos dos nacionais. De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, a diferença no Paraná foi a alta maior em produtos como alimentação, despesas pessoais e medicamentos. Em Curitiba, a alimentação teve inflação de 1,30%, enquanto a média nacional foi de 0,88%. Na saúde, a diferença foi de 1,02% no Paraná ante 0,43%, principalmente pelo aumento dos remédios de 2,08% em agosto. Sobre despesas pessoais, Silva destaca os gastos com empregadas domésticas, que aumentou no Paraná.
Evolução da Selic
O diretor do Ipardes lembra que a movimentação da taxa Selic é usada para conter a inflação, quando necessário, mas que não é o caso no momento. Como juros mais baixos facilitam o consumo e ampliam a demanda, geralmente os preços aumentam. Porém, ele diz que o empresário ainda busca renovar estoques para recuperar a produção, então não há risco inflacionário. Mesmo assim, Suzuki crê em redução menor da Selic na próxima reunião, em outubro. Ele afirma que a redução deve ser de, no máximo, 0,25. ''O Banco Central tende a ser mais prudente após tantas reduções.''



