Inflação no ano pode chegar a 7,8%
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quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Brasília 
O governo não tem mais a expectativa de atingir a meta de inflação de 4% este ano. Esta conclusão é tanto de analistas de mercado quanto de técnicos do próprio governo, a partir do fechamento do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevendo a meta de 5,8% até o final do ano. No acordo, o governo está admitindo que não há mais condições da inflação ficar em 4%, afirmou o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola.
Na avaliação de Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, o governo trabalhou com a realidade, que aponta para uma inflação de 5,8%, e pôde contar com a compreensão do FMI. Todos sabem que não dá mais para ter os 4%, afirmou Abate.
Para ele, porém, a insistência do governo em dizer que as metas originais não foram abandonadas é por uma questão formal. Seria terrível se admitissem isso, garante o economista, destacando que todo o sistema de metas poderia cair no descrédito.
Para o também ex-presidente do BC Gustavo Franco, ao fixar metas de inflação diferentes no acordo, o governo ganhou um pouco mais de espaço para não mexer nos juros quando houver oscilação do câmbio.
Estabelecida em 4%, a meta deste ano prevê margens de dois pontos porcentuais para cima e para baixo. No acordo com o Fundo, que teve as condições divulgadas na última terça-feira, no Ministério da Fazenda, o governo conseguiu elevar a meta para 5,8%, mas com as mesmas margens de manobra. Na verdade, eles deslocaram o compromisso, afirmou Loyola.
Ele também acredita que, com a mudança, o BC terá mais folga para administrar a política monetária. Ou seja, não precisará fazer aumento de juros na tentativa de chegar aos 4%.
Acostumado a negociar com o FMI, um funcionário do governo disse que não há dúvida de que a missão brasileira obteve a compreensão dos técnicos do Fundo em relação ao cenário internacional do momento e conseguiu afrouxar a meta.
Para Abate, a mudança das metas deste ano é assimilável, uma vez que a realidade já é mesmo outra. Mas considera que o mais importante foi o governo ter mantido as metas para os anos de 2002 e 2003 que são, respectivamente, de 3,50% e de 3,25%. Isso sempre com os dois pontos para cima e para baixo.
Loyola e Abate não descartam, no entanto, a possibilidade de a inflação este ano superar a meta dos 5,8% e chegar até o teto de 7,8% na hipótese de uma piora da crise argentina com repercussões desfavoráveis no câmbio.


