Inflação não superará meta, diz Werlang
Carmem Murara
De Curitiba
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, afirmou ontem que não há qualquer risco de o governo federal descumprir a meta de inflação fixada para os próximos três anos. Nem mesmo o aumento do petróleo no mercado internacional ou, então, uma nova crise financeira que pudesse abalar o Brasil poderia comprometer o sistema de metas inflacionárias. Werlang diz que a fixação de um patamar de inflação para este ano já levou em conta possíveis turbulências na economia do País.
Werlang disse que os cálculos feitos pelo Ministério da Fazenda e Banco Central indicaram que todos os aumentos da gasolina, desde o começo do ano, representaram 1,2% da inflação trimestral. Há espaço para suportar uma variação no preço do petróleo, disse.
O Ministério da Fazenda fixou para este ano uma inflação de 8%, já prevendo possíveis abalos econômicos, como os reflexos da desvalorização cambial que afetou o Brasil a partir de janeiro. Para o próximo ano, a meta de inflação é de 6% e para 2001 tem de ser 4%. A nós, do Banco Central, só nos cabe cumprir esta meta custe o que custar, disse o diretor de Política Econômica, a um grupo de empresários e executivos que acompanharam sua palestra, ontem, na Associação Comercial do Paraná.
Doutor em Economia pela Universidade de Princeton (EUA), ele foi convidado pela Associação Comercial, Federação das Associações Comerciais e jornal Gazeta Mercantil para falar sobre a política de fixação de metas para a inflação. Werlang disse que a maioria dos países que pretendia se manter numa estabilidade econômica adotou as metas como solução. Ele citou como exemplo a Nova Zelândia, primeiro país a adotar o sistema de metas de inflação, o Chile, Canadá, Austrália e México. Werlang afirmou que prefixar um índice de variação dos preços para o período contribui para aumentar o Produto Interno Bruto e reduz a volatividade.
A política de metas de inflação foi adotada pelo Ministério da Fazenda quando houve a opção pela manutenção do câmbio flutuante. Quando se tem um câmbio livre e uma economia do tamanho da brasileira, a única saída é ter uma meta de inflação, justificou o diretor do Banco Central.





