São Paulo - O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Ferreira Levy, minimizou ontem a importância de dois dados econômicos divulgados quarta-feira, a alta da inflação medida pelo IGP-M e o crescimento modesto da produção industrial em abril, na comparação com março. ''Embora alguns dias faça chuva e em outros faça sol, a gente tem a certeza de que está caminhando para o inverno'', disse o secretário. ''Quando a gente olha as variações dos índices, é a mesma coisa. Olhando o conjunto de indicadores, a gente vê que a economia está crescendo'', disse o secretário, que foi um dos palestrantes do Seminário Preparatório para a 11 Unctad, realizado ontem na capital paulista.
A produção industrial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve uma pequena alta em abril, de 0,1%, e manteve a tendência de crescimento no ano. Em relação a abril de 2003, o crescimento foi de 6,7%. O acumulado no ano apresentou aumento de 6,1%, em relação ao mesmo período do ano passado. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que a inflação medida pelo IGP-M subiu para 0,66% na primeira prévia de junho, ccontra 0,42% do mesmo período em junho.
Levy descartou a possibilidade de que os índices inflacionários venham a ter um forte impacto quando a Petrobras decidir transferir para o preço dos combustíveis a defasagem existente em relação aos preços internacionais dos produtos, que sofreram pressão da forte alta recente do petróleo. ''Não sei de quanto será o aumento, já que esse é um assunto da Petrobras. Mas o impacto de um aumento dos combustíveis na inflação não é nada desmesurado, até porque existe um amortizador, que é a Cide'', afirmou. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) funciona como um colchão em momentos de alta e de queda dos preços dos derivados de forma a reduzir a volatilidade, aumentando-se a sua cobrança em momentos de queda e reduzindo-se na alta dos preços.
Ao tratar dos índices inflacionários, Levy destacou que o IPCA ''veio no piso das expectativas, consolidando uma inflação de 5,1% em 12 meses'', o que considera ''um resultado significativo''. Questionado sobre a elevação do IGP-M, ele afirmou que o aumento do índice refletiu a volatilidade do dólar, ''o que não é motivo para preocupações''. Em resposta a um questionamento sobre se o governo manterá a trajetória de queda dos juros, Levy limitou-se a comentar que ''os juros têm caído, no médio e curto prazos, de maneira sistemática''.
Levy reafirmou o compromisso do governo Lula de reduzir a carga tributária, a despeito do crescimento de 0,16 ponto porcentual da carga ocorrido no ano passado, o que elevou a participação dos tributos para 35,68% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003. ''Estão fazendo um cavalo de batalha sobre essa questão'', disse ele. ''A carga tributária está estabilizada.''
Segundo o secretário, ''a economia está criando asas'' e, com o próprio crescimento, a carga tributária tende a diminuir. Ele destacou que o governo vem reduzindo os gastos e buscando maior eficiência, o que permitirá baixar a carga de tributos. ''A idéia é não só reduzir a carga tributária, como também melhorá-la, fazendo com que incida de forma mais eficiente, mais justa, com menos distorções, e que permita às empresas respirarem'', afirmou.

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