Agencia Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou ontem que o governo espera apenas a consolidação da trajetória de queda da inflação para promover novos cortes na taxa de juros. Ele disse que os números de janeiro e as primeiras prévias de fevereiro ficaram acima das expectativas do governo. ‘‘Os resultados foram bons, melhores até do que se esperava’’, disse Fraga, no seminário ‘‘2000 Cenários’’, promovido pela Fundação Getúlio Vargas na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 0,62% em janeiro. Fraga revelou que os novos sinais positivos serão analisados na reunião da próxima quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele destacou que o governo não pode pautar suas decisões apenas em tendências de curto prazo, e precisa olhar o comportamento da taxa ao longo do ano.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, previu que a inflação continuará caindo neste mês e em março. Ele reconheceu que o aumento do preço internacional do petróleo é um fator ‘‘crucial’’ para o governo resolver o conflito entre as metas de controlar os gastos públicos e baixar a inflação.
Para Amadeo, ainda não é o momento de o governo tomar alguma medida para lidar com o impacto do reajuste do petróleo. Mas, o secretário admite, como alternativa, o remanejamento de recursos do orçamento. Ele acredita, no entanto, em uma queda da cotação do barril.
Fraga lembrou, durante a palestra, os avanços na área fiscal e a melhoria no perfil do balanço de pagamento. O economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que também participou do debate, elogiou o governo, ao definir o ajuste fiscal como ‘‘formidável’’ e ressaltar a reversão do déficit primário de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1997, para um superávit de 3 1% em 1999.
‘‘O governo hoje tem instrumentos para manter o superávit fiscal, permitindo o controle da proporção da dívida em relação ao PIB’’, explicou. Apesar disso, Scheinkman disse que os investidores ainda consideram o Brasil um mercado mais arriscado do que o México e a Argentina, o que se reflete na diferença de spread (taxa de risco) dos bônus de longo prazo.
Para reverter esse ‘‘pessimismo relativo’’, o Brasil tem de fazer ajustes necessários ao crescimento duradouro. Para Scheinkman, é preciso aumentar a taxa de investimentos (de 21% do PIB em 1998), a abertura da economia brasileira ao exterior, redistribuir os gastos com educação, melhorar o sistema fiscal, que incentiva a informalidade, e incrementar a poupança interna (de 16% do PIB).