A tarefa é árdua, mas há de se procurar perspectivas positivas, e realistas, para a economia brasileira em 2016. O reajuste de 11,7% no salário mínimo para o próximo ano, que passará de R$ 788 para R$ 880 na conta de cerca de 40 milhões de trabalhadores e aposentados que recebem o piso nacional, é talvez a melhor notícia dos últimos dias e deve dar um fôlego às famílias brasileiras que enfrentaram uma inflação de dois dígitos nos últimos 12 meses. No entanto, a necessidade de um pacote de políticas que leve à retomada do da confiança do setor produtivo no País e à recuperação de empregos é o que move os desejos dos analistas ouvidos pela FOLHA.

Ainda, a possibilidade de a inflação desacelerar dos 10,8% previstos pelo Banco Central para 2015 para entre 6,2% nos 12 meses seguintes deve dar maior previsibilidade ao mercado e ao orçamento familiar. Mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) continue negativo em 2016, economistas apontam para uma tendência de início de recuperação a partir do segundo semestre, com o fim dos ajustes.

O primeiro consenso entre analistas é que o desenrolar da crise política, que paralisou a economia nacional desde a última eleição, servirá para desobstruir o caminho em 2016. A previsão mais otimista aponta para uma definição sobre a permanência ou o impeachment da presidente Dilma Rousseff em fevereiro, ainda que exista a possibilidade de o processo se estender até o segundo semestre. Antes mesmo, porém, os três economistas ouvidos esperam que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o governo federal deem a partida em um plano de investimentos e de concessões em infraestrutura, que reanime os empresários e traga previsibilidade para aplicações no País.

"O Supremo Tribunal Federal praticamente botou uma pá de cal no impeachment e existirá uma melhor condição para se fazer uma política econômica, mas o governo não anunciou nada que possa indicar mudança de atitude", diz o professor de economia Fabiano Dalto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ele, a substituição de Joaquim Levy por Barbosa até poderia significar um novo caminho, mas nada apareceu nesse sentido no discurso do novo titular da Fazenda até o momento.

Visão diferente tem o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laércio Rodrigues de Oliveira. "A mudança de ministro foi nesse sentido porque Levy só pensava no ajuste e Barbosa aceita mais um gasto, ainda que seletivo", considera.

O segundo consenso aparece justamente na necessidade de uma proposta que fomente o crescimento do PIB. O economista e consultor Cid Cordeiro, de Curitiba, lembra que há leilões de energia elétrica e de concessões, sempre na área de infraestrutura, que ainda terão de sair do papel. "O que precisa deslanchar são as PPPs (parcerias público-privadas), licitações de obras em aeroportos, rodovias e ferrovias, tudo que depende da resolução desse problema político", sugere.

O delegado do Corecon aponta a necessidade de se fomentar o setor industrial, que costuma ter desdobramentos sobre outros, como comércio, transporte e serviços. "Isso não se faz só com crédito, mas também com acordos com parceiros do Mercosul, com a Argentina, com o Chile, e revisão de acordos com outros de quem está distante, como Estados Unidos", conta.

Dalto faz o adendo de que nenhuma nação se sustenta apenas com exportações, mas é o desenvolvimento de políticas que gera consumo interno para criar mais empregos e maior renda. "A indústria depende de investimentos e o empresariado costuma agir atrás da orientação que enxerga no governo. Então precisamos de um plano público de investimentos e esse discurso deveria existir já hoje, mas não é o que parece."

Todas medidas que, com a desvalorização do real em relação ao dólar, poderiam facilitar a entrada de recursos no Brasil em 2016. "Apesar do impacto nos insumos e nos custos de importados, poderemos ter uma substituição dos produtos de fora pelos nacionais e isso pode ajudar", afirma Cordeiro.

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