Rio - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) reduziu o ritmo de alta em dezembro, com variação de 3,75%, ante 5,19% em novembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A queda de um mês para o outro não impediu que o índice acumulasse alta de 25,31% no ano, a maior taxa anual desde 1994, já que a inflação naquele ano incluiu os seis meses anteriores ao início do Plano Real (1.246%).
Os reajustes de preços de acordo com o IGP-M bateram sucessivos recordes do Real neste segundo semestre, pressionados pela alta do dólar, que provocou disparada nas cotações de vários produtos, especialmente do setor de alimentos.
O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, disse que a inflação no ano, no que diz respeito aos consumidores, foi ''relativamente pequena'' diante da magnitude da desvalorização cambial de cerca de 50% no ano. Segundo ele, contribuíram para segurar a inflação, a renda reduzida dos consumidores e ''uma política monetária austera''.
Em dezembro, o ritmo de elevação de preços desacelerou no atacado, com variação de 4,45%, ante 6,73% em novembro. Mesmo assim, o índice de preços no atacado registrou alta de 33,64% em 2002. Os repasses prosseguiram no varejo, com ligeira alta em dezembro, de 2,55% ante o mês anterior (2,51%), mas Quadros disse que pode ''afirmar com segurança'' que os preços ao consumidor estão em desaceleração.
O argumento é que a redução no ritmo de reajustes no varejo vem ocorrendo desde a divulgação do IPC-DI de novembro (3,14%). A coleta de preços do IGP-M de dezembro ocorreu de 12 de novembro ao último dia 20, período no qual, segundo Quadros, o dólar esteve estável. O efeito desta estabilidade foi forte sobre os preços no atacado. O trigo, por exemplo, que sob impacto do dólar acumulou alta de 110%, registrou queda de 7,72% no atacado em dezembro.
Quadros explicou também que os preços no atacado só não caíram mais no mês porque ainda houve alguma pressão dos combustíveis e de alguns produtos na entressafra agrícola. ''Se não fosse isso, por motivos de mercado, os preços no atacado estariam desacelerando até mais rapidamente'', disse. As maiores pressões de alta no atacado em dezembro ocorreram em óleo diesel (12,89%), ovos (14,27%) e aves (8,37%).
No varejo, a alimentação continuou sendo o principal foco de reajustes, com elevação de 4,54% no mês. Ainda assim houve desaceleração em relação a novembro, quando estes produtos subiram 4,73%. Os maiores pesos no aumento de preços ao consumidor foram dados por gasolina (3,54%), gás de cozinha (9,6%), pão francês (3,97%) e álcool combustível (10,69%).

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