Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) deste mês, com coleta no período de 30 dias terminados no dia 20, ficou em 1,31%. O resultado é um pouco menor que o de junho, que foi de 1,38%, e igual ao de maio.
O economista Salomão Quadros, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo IGP-M, acredita que em agosto a inflação também tenha uma ''desaceleração branda, como a deste mês'', mas ainda mantendo-se acima de 1%.
Quadros considera que o aquecimento do mercado interno pode estar começando a pressionar a inflação, em um movimento não generalizado, mas que está dando um primeiro sinal pelo setor siderúrgico. O grupo ''Ferro, aço e derivados'' no atacado, que vinha diminuindo o ritmo de reajustes desde abril, acompanhando o mercado internacional, acelerou de 2,38% em junho para 3,84% em julho, acumulando 29,79% ao ano.
Este mês, o fôlego da inflação diminuiu um pouco tanto no atacado quanto no varejo. O Índice de Preços por Atacado (IPA) caiu de 1,73% em junho para 1,58% este mês, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) se reduziu de 0,76% para 0,67%.
A grande contribuição para isso foi dos alimentos. Os preços dos produtos alimentares no atacado caíram em média 0,57%. No varejo, os preços da alimentação subiram, mas 0,39%, bem menos que em junho, quando encareceram em média 1,43%.
A alta de preços ao consumidor veio principalmente da gasolina (3,82%) e das tarifas de telefonia (3,19%) e de energia (2,62%). Quadros prevê que o IPC seja menor em agosto porque o aumento da gasolina já deve ter sido todo captado pelo índice e a maior parte das altas de energia e telefonia também.
O terceiro componente do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) dobrou de um mês para o outro, passando de 0,56% para 1,12%. ''Essa duplicação do INCC é quase que exclusivamente explicada pela mão-de-obra'', afirmou Quadros, observando que houve dissídio dos trabalhadores da construção civil em Porto Alegre, Brasília e Goiânia. Em agosto, como só deve ocorrer dissídio em Curitiba, Quadros espera que o INCC seja menor.

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