Inflação medida pelo IGP-10 é a maior desde agosto de 2000
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quarta-feira, 21 de agosto de 2002
Agência Estado 
Rio - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) atingiu 2,26% em agosto, nível mais alto desde agosto de 2000, quando atingiu 2,52%. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os indicadores que compõem o IGP-10 também registraram taxas recordes: o Índice de Preços do Atacado (IPA, de 3,13%) é o maior desde dezembro de 1999 (3,32%) e o Índice de Preços ao Consumidor o (IPC, de 1%) é mais alto desde agosto de 2001 (1,30%).
A tendência para setembro, no entanto, é de redução dos índices, segundo o economista da FGV, Salomão Quadros. Ele acredita que a taxa de juros Selic foi mantida pelo Copom em 18% ao ano por conta de pressões que podem vir sobre os preços ao consumidor, como, por exemplo, pela alta dos preços no atacado. O IPA de agosto (3,13%) foi mais alto que o de junho (2,04%) e julho (2,57%).
Quadros ressaltou que no IPC a aceleração é até mais alta, uma vez que o índice passou de 0,22% em junho para 0,73% em julho e daí para 1,32% em agosto. Essa aceleração, no entanto, é explicada basicamente por julho e agosto serem meses de reajustes de tarifas e de entressafra agrícola.
No IPC, os três itens que mais influenciaram a inflação em agosto foram os preços administrados pelo governo. O primeiro em influência foi o telefone residencial, responsável por 0,20 ponto porcentual no IPC e que subiu 6,75%. A eletricidade residencial foi o segundo item em influência, com 0,15 ponto porcentual e alta de 3,20%. O terceiro lugar ficou com os planos e seguros de saúde, que contribuíram com 0,12 ponto porcentual e subiram 3,78%.
Entre os 15 itens que mais influenciaram o IPC, estão também o pão francês, que subiu 5,69%, muito influenciado pela alta do dólar, a gasolina, com 1,13% de aumento, e o gás de botijão, que encareceu 1,57% e acumula alta de 36,21% no ano.
No atacado, quatro dos 15 itens que mais influíram no IPA são do grupo combustíveis e lubrificantes, que subiu 4,14%. Os bens de produção no atacado encareceram 3,76%, enquanto os bens de consumo aumentaram 2%. O IPA agrícola teve alta de 4,50% e o industrial subiu 2,62%.


