Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) caiu para 0,84% em agosto, ante 1,31% em julho. Foi a menor taxa em seis meses. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o desempenho foi provocado pelo recuo de preços nos produtos agrícolas (de 0,16% para 0,05%) e industriais (de 2,06% para 1,25%) no atacado, além de menor variação de preços no varejo. ''Foi um resultado muito favorável'', afirmou o economista da FGV, Salomão Quadros.
O técnico acrescentou que o IGP-10 de setembro também pode ficar abaixo de 1% e observou que o cenário atual da inflação se mostra positivo. ''Não acho que estamos correndo o risco de descumprir a meta inflacionária'', disse, referindo-se à meta anual do governo de 5,5% pelo IPCA, com viés 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo. O período de coleta de preços do IGP-10 foi do dia 11 de julho a 10 de agosto.
Com o recuo nas taxas dos produtos industriais e agrícolas, o Índice de Preços por Atacado (IPA-10) passou de alta de 1,54% para elevação de apenas 0,84%. O IPA representa 60% do total do IGP-10. Mesmo com o recuo de preços no segmento de agrícolas, Quadros alertou para altas sazonais, como as registradas em legumes e frutas (de 0,31% para 8,07%) e raízes e tubérculos (de queda de 5,08% para alta de 20,48%). ''Mas é bom lembrar que no atacado os itens industriais têm peso quase três vezes maior do que o dos agrícolas. O recuo de preços nos industriais contribuiu mais para a menor taxa do IPA-10'', disse.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) caiu para 0,63%, ante alta de 0,77% em julho, influenciado pela menor taxa no grupo transportes (de 1,86% para 0,70%). Foram os reajustes nas tarifas de telefonia e de energia elétrica que formaram a inflação do varejo no IGP-10. Os preços do grupo habitação - que abrange as tarifas públicas - passaram de 0,61% para 1,08% e responderam por 0,34 ponto porcentual do IPC-10.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-10) passou de alta 1,10% para 0,79%. No ano, a inflação acumulada pelo IGP-10 atingiu elevação de 9,02%; em 12 meses, o indicador tem alta de 11,94%.
Ao falar sobre o IGP-10 de agosto, Quadros reiterou sua previsão de manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 16% no curto prazo. E minimizou ainda os efeitos da atual taxa de juros sobre o processo de reaquecimento da economia. ''A economia já está em uma dinâmica de recuperação sustentável. Não é a Selic em 16% que inibe o crescimento econômico, que hoje está cada vez mais generalizado'', afirmou.

mockup