A taxa de inflação em São Paulo atingiu 0,51% em março e ficou acima das estimativas iniciais, que eram até de deflação. É o maior índice desde agosto, quando a taxa atingiu 1,55%, segundo a Fipe. ‘‘É uma inflação sazonal’’, diz Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe. A pressão esteve concentrada em alimentos, e poucos itens foram responsáveis pela alta.
O economista destacou a evolução dos preços do feijão (17,4%), da laranja (13,1%) e do leite longa vida (8,8%). Juntos, os três itens foram responsáveis por 39% da inflação em março. O frango foi um dos componentes da alta.
Os alimentos subiram, em média, 1,6% no mês passado, após cair 0,1% em fevereiro. Os ‘‘in natura’’ lideraram as altas, com 4,3% em março, seguidos pelos semi-elaborados (2,3%). Os produtos industrializados mantiveram tendência de queda (-0,1%), mas com intensidade menor do que em fevereiro (-0,7%).
A inflação atual está pegando em cheio a classe mais pobre, diz o economista da Fipe. Primeiro vieram os aumentos elevados de tarifas no segundo semestre do ano passado. Agora, são os reajustes fortes nos alimentos, alguns constantes na alimentação diária, como leite e feijão. Tarifas e alimentos tiram boa parte da renda dos consumidores, diz Heron.
À exceção dos alimentos, os demais grupos de produtos analisados pela Fipe não tiveram grandes mudanças de preços. A novidade ficou para a estabilidade nos preços de vestuário, já que a previsão da Fipe era uma queda de pelo menos 2% no mês passado. ‘‘Foi um verão atípico, que impediu a redução dos preços no setor.’’
A inflação acumulada no primeiro trimestre foi de 1,0%. No semestre, a taxa deverá ficar entre 1,5% e 2,0%. Heron não alterou a previsão de 4% para este ano, uma taxa que, se confirmada, ficará abaixo dos 4,8% registrados nos últimos 12 meses até março.

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