Curitiba O retorno da inflação desacelerou o crescimento do emprego no comércio do Estado. No mês de março, o índice de emprego no comércio cresceu 0,29%, que correspondeu à criação de apenas 956 empregos formais em todo o Estado. No acumulado do primeiro trimestre, o emprego no comércio cresceu 0,87%, que correspondeu à criação de 2.874 vagas, sendo que 85% dos novos postos de trabalho surgiram no Interior.
Este quadro consta do levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em conjunto com o Sindicato dos Comerciários, apresentado ontem. A desaceleração do nível de emprego está diretamente ligada à queda no faturamento do comércio, apontou o estudo. Apesar do bom desempenho registrado no mês de março, que apresentou crescimento de 7,83% nas vendas em relação ao mês anterior, em decorrência da recuperação do setor após o período de férias, o quadro geral é de queda nas vendas.
Em relação ao mesmo mês do ano passado, as vendas registradas em março apresentam uma queda de 4,77% e no acumulado do primeiro trimestre deste ano, as vendas estão 1,7% inferiores ao mesmo período do ano passado. Os setores do comércio que venderam bem e mais empregaram foram o comércio atacadista de equipamentos agrícolas, o comércio de produtos agrícolas ''in natura'', e o comércio de produtos alimentícios em lojas de conveniência.
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, o bom desempenho que o comércio vinha ensaiando foi abortado pelo retorno da inflação. Segundo Cordeiro, o comércio depende da renda das pessoas, que está em baixa e do crédito que está difícil com os juros altos. ''O comércio não é como a indústria que encontrou saída na exportação'', comparou. Como o comércio está repassando os aumentos da indústria e a renda continua baixa, o consumo foi reduzido, concluiu.

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