Inflação já preocupa 69% da classe média
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O medo da inflação voltou a assustar a classe média brasileira. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) elaborado trimestralmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 69% dos 2.000 entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses ante 59% registrados na pesquisa passada feita em maio deste ano. A perspectiva de inflação contínua aumenta à medida que o grau de escolaridade dos pesquisados é maior.
Entre as pessoas com curso superior, 70% acham que a tendência de alta dos preços continuará até o fim deste ano. Esse porcentual cai para 67%, quando os entrevistados têm nível ginasial completo ou incompleto e também no grupo dos que concluíram ou não o colegial. Os consumidores estão associando, corretamente, a alta da inflação à perda de poder aquisitivo, disse o presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, ao divulgar a pesquisa.
Ele admitiu que os índices inflacionários captados recentemente pelos institutos de pesquisa só não foram maiores porque os salários da população estão contidos. Ou seja, a renda dos trabalhadores não está se recuperando na mesma proporção que a economia.
Desde 1998, a renda média do trabalhador formal vem sofrendo retração. Somente a partir do início deste ano é que foram registrados aumentos salariais, mas a renda ainda não atingiu os mesmos níveis registrados há dois anos.
O levantamento mostra que existe expectativa geral de que a renda vai diminuir (29%) e não vai mudar (54%).
Segundo Moreira Ferreira, apesar da expectativa um tanto quanto pessimista dos entrevistados, a inflação não se manterá alta. Estamos atravessando um pico de aumentos no qual houve concentração de aumentos nas tarifas públicas, combustíveis e alimentos, disse. Mas isso é de caráter temporário e não afeta as boas perspectivas para o ano 2000 como um todo.
Juntamente com esse pico de aumento de preços, o medo do desemprego aumentou na comparação com os resultados das pesquisas feitas nos dois trimestres. Em maio, 67% dos entrevistados responderam que sentiam medo do desemprego. Esse porcentual atingiu 70% em agosto.
Esse crescimento está relacionado com a perspectiva de 64% dos consumidores de que o número de vagas no mercado de trabalho possa diminuir. Mais consumidores têm intenção de fazer compras nos próximos três meses, principalmente entre os que têm grau de instrução ginasial.
Até o primário completo 14% pretendem comprar mais ante 13% da pesquisa anterior. O porcentual vai para 20% para os que estudaram até o ginásio. Os que têm maior nível de escolaridade superior completo ou incompleto pretendem reduzir ou manter o nível de compras.


