A cada autorização de reajustes dos serviços essenciais - como água, energia elétrica, telefone e até planos de saúde - os usuários são surpreendidos: os índices de aumento sempre são superiores à inflação oficial. E o mesmo não ocorre com os salários dos trabalhadores que, geralmente, são reajustados com índices bem mais modestos. A soma desses dois fatores traz um resultado não muito agradável: queda do poder aquisitivo do brasileiro e achatamento, principalmente, da classe média formada em sua maioria por assalariados.
O economista Ismael Mologni, professor da Universidade Estadual de Londrina, explica que isso ocorre porque a inflação é uma média feita entre os preços mais caros e os mais baratos. ''Os serviços públicos não sobem mais do que a inflação porque são os seus preços que compõem essa inflação. O problema é que os bens administrados pelo governo estão com os preços mais altos enquanto os salários estão entre os mais baixos'', explica. Com base nisso, o índice é formado por uma composição entre a deflação e a inflação.
No entanto, ele acrescenta que alguns itens têm reajuste superior aos demais para continuar dando lucro. É o caso, por exemplo, dos juros cobrados pelos bancos. Se a inadimplência no setor aumenta, as taxas automaticamente são reajustadas para pagar o custo dos devedores. Mologni acrescenta que no caso dos planos de saúde, os preços são reajustados pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) que, geralmente, são superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), inflação considerada oficial.
Outro problema apontado é que os salários não estão indexados a nenhum índice de inflação, o contrário do que ocorria nos anos 80, nos períodos da hiperinflação em que havia o ''gatilho'', que minimizava as perdas salariais. ''A Constituição Federal em seu artigo 37 diz que os rendimentos salariais têm que ser revistos todos os anos, mas não determina um índice a ser seguido'', explica o economista. Mas isso ocorre só com os salários, uma vez que as tarifas têm um índice de reajuste a seguir, como o IGPM ou o IGDI. ''As empresas praticam o equilíbrio econômico-financeiro, com reajustes com base no custo de produção'', argumenta.
Inflação- O conceito de inflação é o aumento generalizado dos preços. Já a queda do poder aquisitivo pode ser resumido em três fatores: na realização de crediários, quando o contratante paga juros abusivos (muito acima dos índices de inflação); com o pagamento de impostos cuja utilização não é aplicada em obras de infra-estrutura; e quando não ocorre a reposição integral das perdas salariais.

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