Inflação ganha da renda fixa no mês de outubro
Agência Folha
De São Paulo
A inflação voltou a bater as aplicações de renda fixa em outubro. Pelo terceiro mês consecutivo, nenhum dos investimentos que rendem juros conseguiu superar a alta de preços medida pelo IGP-M. A melhor aplicação de renda fixa em outubro foi a do CDB prefixado de grande investidor, com 1,42% de taxa bruta e 1,14% de taxa líquida (de Imposto de Renda) para 31 dias corridos e 20 úteis, contra uma inflação de 1,70%.
Muitos fundos mostram juro real positivo, mas são aqueles turbinados por operações no mercado de derivativos. Na média, os fundos DI (que acompanham o juro interbancário) deram pouco acima de 1% líquido. O DI, que é uma taxa bruta, fechou o mês com 1,38%. O IGP-M, como o IGP tradicional, sofre forte influência dos preços no atacado, cuja alta não é totalmente repassada ao varejo. Em outubro, porém, índices de preços ao consumidor também revelaram aceleração. O IPC da Fipe está em 1,18% e deve fechar o mês em 1,10%, devido, principalmente, às pressões da carne bovina e do álcool. Em prazos mais longos, que realmente importam quando se trata de medir juro real (acima da inflação), as aplicações de renda fixa continuam positivas se comparadas com a evolução de índices de varejo. A taxa bruta do DI acumula 21,55%.
Os fundos desse tipo, sempre considerando a média deles, estão com 15,80% de taxa líquida. O IPC da Fipe registra 6,50%. Já o IGP-M, carregando o impacto da máxi do início do ano sobre os preços no atacado, alcança 15,22%.
A caderneta de poupança deu 0,7276% em outubro e acumula rendimento de 10,58% no ano. Sobre o IPC da Fipe há ganho real de 3,83%, e sobre o IGP-M, perda de 4,03%.
Mesmo tendo como parâmetro a Fipe, indicador mais próximo do custo de vida da classe média, dificilmente a poupança dará ganho real de 6% neste ano. A liderança no ranking das aplicações em outubro ficou com a Bolsa. O Indice Bovespa, que reflete o que acontece com as ações mais negociadas no pregão paulista, subiu 5,35% em outubro e 72,46% no ano. O dólar ganhou muito fôlego em outubro, mas fecha o mês com altas mais modestas por causa das recentes medidas do Banco Central, que obteve aval do FMI para trabalhar com um nível mais baixo de reservas líquidas.
O BC ganhou mais liberdade para intervir no mercado de câmbio, visando evitar que a alta do dólar comprometa as metas de inflação. Folga maior depende da volta de superávits na balança comercial, o que se espera só para o ano 2000.
Em outubro, o dólar comercial registrou valorização de apenas 0,67%, e o paralelo, de 2,02%. A desvalorização do real no ano é de 37,95%, e a alta do dólar, de 61,16%.
Depois da explosão dos preços internacionais em setembro, o ouro se estabilizou, embora num patamar mais alto. O grama do metal negociado na BM&F estava em R$ 18,70 ontem.





