Inflação fica em 0,51% em novembro
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sábado, 06 de dezembro de 2014
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A inflação oficial fechou novembro com alta de 0,51%, puxada pelo preço da alimentação e da habitação. Apesar de ter ficado abaixo dos 0,54% do mesmo mês de 2013, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado para 12 meses ficou em 6,56%, acima do teto da meta do governo para o ano, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta dos preços acelerou em relação a outubro, quando foi de 0,42%. No entanto, veio abaixo das expectativas de analistas no mês passado e pode significar que o ano feche dentro do teto previsto pelo governo. O Banco Central (BC) estipulou 4,50% como meta para o ano, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A inflação acumulada desde janeiro está em 5,58% e, assim, o resultado de dezembro precisaria ficar em no máximo 0,92%.
O secretário de Política Econômica, Márcio Holland, acredita que não haverá problema. "Estamos observando uma grande chance de a inflação ficar em torno aí de 6,40%, 6,45%, dentro das bandas de tolerância do regime de inflação, cumprindo mais uma vez a meta", disse Holland. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que será substituído por Joaquim Levy no comando da pasta, foi sucinto. "Acho que foi um bom resultado."
Técnico e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, o economista Eugenio Stefanelo também acredita que a inflação fique abaixo do teto da meta, mas mostra preocupação com o histórico dos índices. "Nos últimos quatro anos, o IPCA sempre ficou mais próximo ao teto do que ao centro da meta, o que mostra um enraizamento da inflação na economia brasileira", diz. Ele considera que todo o setor produtivo já passa a considerar uma alta de 6,50% na definição de preços.
Para o professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), esse cenário de descontrole da inflação foi fomentado pelo governo ao longo dos anos, por fazer uma política focada na demanda interna. "É perigoso porque começamos a perceber uma diferenciação entre a inflação real e a que o consumidor sente", conta. Ele apresenta uma visão mais pessimista em relação ao teto da meta neste ano. "Não temos qualquer indicador de que algum produto possa ter o preço reduzido, porque no fim de ano é um período de super demanda", conta.
Stefanelo diz que será preciso combater a situação com um aumento forte dos juros em 2015, o que deve fazer com que a expansão do crédito diminua e leve a um Produto Interno Bruto (PIB) menor. "É preciso lembrar que transporte, energia elétrica e combustíveis têm uma demanda reprimida por reajustes, que devem ocorrer no ano que vem", diz. "O problema é que não há uma política de gastar menos por parte do governo, só de aumento de juros e de impostos, e isso é ruim", completa Dias.
Variações
A carne foi responsável por 0,09 ponto percentual dos 0,51% do índice de novembro, com alta de 3,46% no preço do produto. Percentualmente, outros alimentos tiveram aumento expressivo, como a batata-inglesa (38,71%) e a cenoura (12,24%). Por isso, o grupo alimentação e bebidas representou 0,19 ponto percentual do índice mensal, seguido por habitação, com 0,10.
O técnico da Conab explica que o preço da carne tem aumentado porque houve redução da oferta pela seca no Brasil, na Austrália e nos Estados Unidos. Ainda, houve aumento do consumo da Rússia, que deixou de importar o produto da Europa e dos EUA, como resposta às sanções devido à crise na Ucrânia, e passou a comprar bovinos brasileiros. (Com Agência Brasil)


