A inflação oficial fechou agosto em 0,25% e elevou o acumulado em 12 meses para 6,51%, acima dos 6,50% do teto da meta estipulado pelo governo federal. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou ante a taxa de 0,01% de julho e sobre a de 0,24% de agosto de 2013, puxada principalmente pelos reajustes de preços administrados pelo governo, como energia elétrica (1,76%) e tarifa de água e esgoto (1,46%), conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ambas tiveram peso no grupo Habitação, responsável por 0,14 ponto percentual (pp) do índice de 0,25%. Também houve as variações expressivas no grupo em condomínio (1,35%), artigos de limpeza (1,31%), aluguel (0,66%) e mão de obra para pequenos reparos (0,66%).
O item empregado doméstico também teve alta expressiva, de 1,26%. No entanto, o grupo Despesas Pessoais, ao qual pertence, ficou em 0,09%, principalmente pela queda de 10,13% do preço das diárias de hotéis, item que representou a maior redução dentro da composição do índice (-0,05 pp).
No caso dos hotéis, houve parte da devolução dos aumentos provocados pela realização da Copa do Mundo no Brasil. Somada à variação negativa de 7,65% de julho, o preço caiu 17,01% desde o fim do evento, ainda abaixo dos 25,33% de alta de junho.
Também afetadas pelo Mundial, as passagens aéreas voltaram a subir depois de duas quedas seguidas, com aumento de 10,16%. Assim, puxaram para cima o custo do grupo Transportes, que representou o segundo maior impacto no índice geral, com 0,06 pp. Itens da mesma classe em queda no mês anterior ainda reverteram para alta em agosto, como a gasolina (de -0,80% para 0,30%) e do automóvel novo (de -0,29% para 0,22%).

Alimentação
Os preços dos alimentos registraram o quinto recuo seguido e ficaram negativo em 0,15% em agosto, puxados pela batata-inglesa (-17,87%), pelo tomate (-5,80%) e pelo óleo de soja (-4,94%). No entanto, o valor do consumo fora do lar teve aumento de 0,71%.

Acima do teto
O delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que a previsão é que a inflação estoure o teto da meta no ano. "Isso gera instabilidade porque diminui o poder de compra do consumidor", diz. Ele completa que os empresários passam a ficar mais preocupados, porque há elevação dos custos de produção, que acaba repassado aos preços e dificulta o consumo interno e a exportação.
Para o professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o resultado é reflexo de erros do governo em estimular demais o consumo, sem que a capacidade produtiva tenha aumentado. Ele lembra que são os preços administrados estavam represados e que acabaram pesando neste ano. "Após as eleições, a gasolina deve subir e influenciar toda a cadeia pelo custo do transporte. A inflação não deve ficar abaixo do teto da meta", diz, ao considerar que em 2015 o governo terá de encontrar uma forma de reduzir gastos e de incentivar os investimentos em infraestrutura.

Imagem ilustrativa da imagem Inflação fica em 0,25% em agosto e estoura teto da meta