Inflação fica abaixo de 6% pela primeira vez no ano
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,35% em setembro, o que derruba o acumulado em 12 meses de 6,09% em agosto para 5,86%. A taxa ficou abaixo dos 6% pela primeira vez desde dezembro. No mesmo mês do ano passado, o índice havia sido de 0,57%.
Com o resultado divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), economistas acreditam que os preços estão controlados, o que abre espaço para que o governo federal promova reajustes de produtos com valor controlado, como a gasolina.
Apesar da queda em relação ao mesmo mês do ano passado, houve variação positiva sobre agosto, quando o IPCA foi de 0,24%. Os principais vilões no mês foram os preços das passagens aéreas, que contribuíram com 0,08 pontos percentuais dos 0,35 de setembro, e o pão francês, que representou 0,04. Ambos sofrem influência da alta do dólar e, no caso do derivado de trigo, também da quebra das safras argentina e uruguaia de grãos.
Economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, Fabiano Camargo da Silva acredita que o índice termine o ano dentro da última previsão do Banco Central, de 5,83%. Hoje, no acumulado de janeiro a setembro, está em 3,79%. "Existia um alarde muito grande no mercado e na mídia sobre uma inflação de demanda no País, quando na verdade se tratava de alta por questões pontuais, como a pequena safra de alguns alimentos", diz.
Silva critica as seguidas elevações da taxa básica de juros, a Selic, para diminuir tanto a oferta de crédito quanto o consumo. "Isso afeta o crescimento econômico do País e não atinge a causa da inflação, porque tínhamos um problema de oferta que só se resolve com ajuste na produção", diz. Ele lembra que há pressão de instituições financeiras, que ganham com juros em empréstimos e no pagamento de títulos públicos por parte do governo.
Porém, o professor de economia Vanderlei Sereia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), considera que a elevação dos juros ajuda a segurar o consumo, normalmente aquecido no fim do ano, para que o governo possa aproveitar para atuar sobre alguns produtos com preço controlado. "A gasolina já vem causando um problema há algum tempo e é formadora dos preços de transporte", conta. A Petrobras tem vendido o combustível no mercado interno com preço defasado em relação ao do produto importado e a presidente da estatal, Graça Foster, disse na terça-feira que há um reajuste à vista.
Câmbio
Sereia considera que a valorização do dólar frente o real foi a responsável pela elevação de preços nos transportes. No caso da passagem aérea, até 60% dos custos das companhias são dolarizados, como combustíveis, manutenção e arrendamento das aeronaves, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A variação cambial abriu espaço para o reajuste sobre passagens interestaduais de ônibus no mês passado. "Houve uma competição grande entre companhias aéreas e rodoviárias. (Com o aumento nas passagens aéreas), foi possível que as empresas de ônibus fizessem ajustes nos preços, porque estavam pressionadas", diz o professor da UEL.
No caso do pãozinho, o economista do Dieese afirma que a quebra das safras de trigo argentina e uruguaia fez com que o Brasil precisasse importar o produto do Canadá. "Há um aumento do custo pela distância maior no frete", diz. O preço do insumo também é dolarizado.



