No limite do teto da meta, a inflação fechou 2014 em 6,41%, após alta de 0,78% em dezembro. Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mesmo mês de 2013 havia sido 0,92% e a desaceleração permitiu que o resultado do ano passado não estourasse os 6,50%, máximo previsto pelo Banco Central (BC) para o ano. Apesar de ficar dentro do limite, trata-se do maior aumento anual desde 2011 (6,5%).
O indicador, porém, ficou longe do centro da meta de 4,50%. Para 2015, a previsão de economistas é de que o País continue a sofrer com a inflação no limiar de 6,50%. Ainda que os reajustes nas taxas de juros causem desemprego, diminuam o ímpeto pelo consumo e reduzam a perspectiva de alta nos custos, a população e o setor produtivo terão de conviver com aumentos de impostos e de preços administrados que foram represados anteriormente, como o da energia elétrica e dos transportes públicos, o que causa inflação.
No mês passado, itens de alimentação e transportes, que são afetados por fatores sazonais como festas de fim de ano e férias, representaram 68% do índice. As passagens aéreas, com impacto de 0,20 pontos percentuais (p.p.) no IPCA, as carnes, com 0,10 p.p., e a refeição fora de casa, com 0,07 p.p., foram os maiores vilões do orçamento familiar no mês passado.
O professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que o resultado já era previsto, assim como a tendência de que a inflação volte a ultrapassar o teto da meta nos primeiros meses de 2015. "Em todos os inícios de ano temos o reajuste das tarifas de transporte público e neste ano teremos a bandeira vermelha na conta de energia, além de um aumento generalizado nos impostos municipais, estaduais e federais."
Com a inflação ainda alta, é possível que o BC volte a elevar os juros para contê-la. Os reajustes na taxa básica, a Selic, também refletem no aumento de custos para empresas que precisem tomar crédito e, por consequência, no preço dos produtos. "Quando se mantém essa política de juros, há redução do consumo e isso vira um quadro de incerteza sobre os empregos", diz o professor de economia Antônio Eduardo Nogueira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ambos veem a manutenção em 2015 do cenário de 2014, de inflação alta e baixo crescimento e fazem críticas relacionadas à política econômica adotada pelo governo federal. Nogueira considera que a decisão de promover ajustes fiscais, com corte de gastos, deveria ter sido tomada há mais de uma década. "A conta está chegando agora. O certo era ter feito o ajuste fiscal, para economizar, diminuir os juros e a carga tributária para incentivar a produção. Mais isso ao longo de 15 anos", afirma o professor da UEL.
Moraes Neto também vê a estratégia como errada. "Boa parte do Orçamento é consumido para pagar juros da dívida pública, então fazem um ajuste fiscal que prevê reajuste nos juros?", questiona. Ele afirma que a inflação não vai diminuir, que haverá aumento do desemprego e baixo crescimento econômico. "Quem vive de renda está fazendo a festa e quem vai pagar a conta é o andar de baixo", diz o professor da UFPR.

Alta geral
Ainda que a aceleração mensal nos preços de alimentação (0,77% em novembro para 1,08% em dezembro) e transportes (0,43% para 1,38%) tenham sido as de maior impacto, houve variação positiva mensal também em vestuário (0,39% para 0,85%), despesas pessoais (0,42% para 0,70%), saúde e cuidados pessoais (0,42% para 0,47%) e artigos de residência (-0,04% para estável). A pressão diminuiu em habitação (0,69% para 0,51%), educação (0,21% para 0,07%) e comunicação (0,08% para estável).

Imagem ilustrativa da imagem Inflação fecha em 6,41% no ano e deve persistir em 2015
mockup