Inflação faz curva de queda em fevereiro
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A esperada desaceleração da inflação deu sinais em feveiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de baixa renda, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação para a classe média, deu sinais de inversão no ritmo de alta que vinha acontecendo nos últimos meses.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a inflação em 10 regiões metropolitanas do País e em Brasília, constatou INPC de 1,46% e IPCA de 1,57% no País. Os índices ainda permanecem em patamar alto, mas são inferiores aos verificados em janeiro, quando o INPC foi de 2,47% e o IPCA foi de 2,25%.
Em Curitiba, uma das 10 regiões pesquisas, o INPC foi de 1,03% e o IPCA foi de 1,54%, em fevereiro. No acumulado dos dois primeiros meses do ano o INPC soma variação de 2,88%, considerado elevado para os patamares inflacionários perseguidos pelo governo. O IPCA acumula alta de 3,86% este ano em Curitiba.
De acordo com avaliação do IBGE, houve desaceleração no ritmo de crescimento dos preços dos alimentos, que passaram de 2,44% para 1,29%. O índice de aumento dos preços dos produtos não alimentícios também recuou de 2,48% em janeiro para 1,54%, em fevereiro. Segundo o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Sócio-Econômicos (Dieese), os preços dos alimentos e das tarifas públicas têm impacto maior sobre as famílias de baixa renda. Daí a variação no índice do INPC ficar num patamar inferior à variação do IPCA, explicou.
A redução na taxa do IPCA foi atribuída à menor influência do dólar na maioria dos produtos de consumo. E também à entrada da nova safra agrícola. Os índices de aumento nos preços dos alimentos caíram de 2,15% em janeiro, para 1,22% em fevereiro. O índice dos alimentos caiu em decorrência da queda no preço do óleo de soja, arroz, carnes e frango. Já nos produtos que tiveram seus preços elevados como ovos e macarrão, a variação das taxas foi mais reduzida em fevereiro.
Produtos não alimentícios, consumidos mais pela classe média, apresentaram queda mais acentuada no índice que mede a variação dos preços. A maioria dos produtos pesquisados influenciou menos o IPCA de fevereiro do que em janeiro, destacando-se a gasolina, cuja variação de preço caiu de 8,82%, em janeiro, para 3,29% em fevereiro. A variação nos preços dos remédios também caiu de 2,26%, em fevereiro, para 0,12% em janeiro. Até no gás de cozinha, produto cujo aumento de preço vem pesando para as classes mais pobres, o índice de preços caiu de 4,55% para 3,73%.


