Rio de Janeiro - O núcleo da inflação de fevereiro deverá permanecer elevado, mas deverá cair a partir de março e voltar, nos meses seguintes, a um nível compatível com as metas do governo para a variação de preços este ano. Na avaliação de economistas, não existe risco de descontrole inflacionário no País. Mas o nível atual da taxa - que serve de indicador de tendência para a inflação - representa uma ''luz amarela'' na condução da economia.
''Os núcleos só vão estar, de fato, em patamares benignos na inflação de março, algo entre 0,4% e 0,5%. E isso vai ser reforçado em abril'', avalia o economista-sócio da Gap Asset Managment, Alexandre Maia. ''Não há muita razão para que o núcleo volte forte em março'', diz o economista Luiz Roberto Cunha, membro do conselho consultivo do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Existe mais de uma forma de calcular o núcleo da inflação. Uma delas é chamada de ''médias aparadas'', pela qual se retiram 20% das maiores altas e das maiores quedas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Pode se fazer esta média, pura e simplesmente, ou ''suavizar'' este núcleo, amenizando o impacto das variações de preços administrados. Uma outra é a que exclui da inflação as tarifas públicas e de alimentação do IPCA cheio.
A responsável pelo cálculo da inflação na Tendências Consultoria, Ana Paula Almeida, projeta que o núcleo por exclusão em fevereiro poderá chegar perto de 1%. Em janeiro, o IPCA ficou em 0,76%. Para o IPCA-15 de fevereiro, cuja coleta de preços vai de meados do mês anterior ao mês de referência, deverá ficar próximo de 0,85%, estima Ana Paula. Boa parte da pressão se explica pela metodologia do IPCA, que concentra no mês os reajustes de educação.
Para o mês fechado de fevereiro, o economista Luiz Roberto Cunha acredita que a inflação deverá ficar entre 0,70% e 0,80%. Ele explica que, de fato, haverá o impacto de preços da educação, mas indica que os preços de alimentos estarão pressionando cada vez menos. Os economistas apontam que taxas mensais médias acima da faixa de 0,40% a 0,50%, em 12 meses, prejudicam o cumprimento da meta de inflação neste ano, de 5,5%.
O boletim desta semana do Banco Schahin registra a evolução recente no núcleo e conclui que ''a aceleração deste indicador serve como 'sinal amarelo' para a condução da política monetária, pois também tem a característica de ser estimador eficiente de inflação futura''. Os analistas do banco esperam recuo da inflação a partir de março e acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter a taxa Selic inalterada na reunião desta semana, que começa amanhã.
O Banco Central será firme na condução da política monetária este ano porque acredita que, com a inflação dentro da meta, o crescimento econômico no ano que vem será maior que os 3,5% previstos para este ano. Esse argumento foi dado pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, em reunião com o Comitê de Política Monetária da Associação Nacional da Instituições de Mercado Aberto (Andima) na sexta-feira passada, segundo o presidente da comissão, Marcos Sudano. De acordo com Sudano, Candiota reafirmou que o BC vai mirar no centro da meta de inflação para este ano.

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