A inflação para produtos vendidos on-line foi menor em julho do que a medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Índice Fipe/Buscapé calculou um reajuste médio de 6,13% nas lojas virtuais em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a variação de preços em geral, calculada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatísticas (IBGE) no mesmo período, ficou em 8,74%, indica análise do Ebit, que acompanha a evolução do varejo digital no País. Os preços nas lojas virtuais começaram a disparar em agosto de 2015 e bateram os percentuais máximos em fevereiro e março deste ano, chegando próximo a 11%. Desde abril, entretanto, a escalada reduziu o ritmo e dá sinais de estabilidade.
O CEO da Ebit, Pedro Guasti, ressalta que o e-commerce chegou a índices semelhantes ao da inflação a partir de dezembro. "Houve repasses de valores ao consumidor, interligados a questões como fim da ‘Lei do Bem’ (que reduzia impostos sobre eletrônicos). A inflação bateu e as lojas virtuais não conseguiram mais segurar na hora de repor estoques", afirma Guasti.
Quando comparados com julho de 2015, os produtos que mais sofreram alta foram os eletrodomésticos (9,26%), informática (7,84%), eletrônicos (6,62%), seguido de cosméticos e perfumaria (6,08%). Na outra ponta estão artigos de moda e acessórios (-7,38%), ao lado de outras 25 categorias que tiveram retração média de 1,39%.
O encarecimento dos eletrônicos mudou o perfil do consumidor cibernético. A preferência passou para itens de valores mais baixos, como roupas, acessórios, sapatos e tênis, que teve crescimento de 41,3% nas vendas, e cosméticos e perfumaria – que, apesar da inflação, registrou aumento de 21,1% no consumo. "Isso dá a entender que estão procurando produtos com ticket médio menor."
Gerente de e-commerce do Grupo Mufatto, Fábio Donedon credita a inflação mais controlada à concorrência mais agressiva no mundo virtual. "Na internet, é muito mais fácil comparar preços, procurar promoções, e isso faz com que o cliente se prepare mais para a compra e obriga as lojas a entrarem em uma competição mais forte", avalia.
Guasti também ressalta políticas agressivas de parcelamento oferecidas por alguns sites - como dez vezes sem juros, e a retomada do frete grátis por boa parte das lojas virtuais - como fatores que acirram a concorrência. E, com os preços mais baixos, aumentam as vendas. "Vimos um avanço de compradores únicos no primeiro semestre que passa de 20%", diz o CEO.

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