Curitiba - O aumento de 0,60% no item transporte e comunicação não deixou que Curitiba registrasse, em fevereiro, uma deflação de 0,13%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reflete o custo de vida para famílias com renda de um a 40 salários mínimos, ficou praticamente nulo (0,02%) e 0,50 ponto porcentual inferior ao registrado em janeiro. É o menor índice mensal, desde janeiro de 2003, quando se registrou deflação de 0,05%. O IPC acumulado no ano é de 0,54% e de 8,60% nos últimos 12 meses (março de 2004 a fevereiro de 2005).
De acordo com os dados divulgados, ontem, pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as variações nos preços dos automóveis de passeio usados, com alta de 1,96%, e zero quilômetro (1,47%), foram os principais responsáveis pelo índice positivo de fevereiro. Dentro do mesmo grupo, com menor influência, mas também com variações positivas vieram o automóvel de passeio importado novo (6,5%); conserto de veículos (2,01%), seguro voluntário de veículo (9,06%); e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), com 8,99%.
Para o economista do Ipardes, Gino Schlesinger, no grupo transporte e comunicação, o que mais contribuiu para segurar a inflação foram as reduções na tarifa de ônibus urbano (-5,13%) com a instituição da tarifa domingueira de R$ 1,00 , na gasolina (-2,67%) e no álcool (-2,54%). A má notícia para os curitibanos, alertou, é que esse comportamento não deve se repetir no índice de março.
O mês já começou com um rearranjo dos preços nas bombas de combustível. O aumento médio, segundo Schlesinger, foi de 10,5%, o que já elevaria o IPC de março para 0,36%. Outro fator que deverá contribuir para o aumento no custo de vida serão o transporte urbano, considerando que o mês terá mais dias em que vigora a tarifa de ônibus normal (R$ 1,90).
Ainda de acordo com o economista, estão previstos para este mês aumentos no custo das tarifas de energia (1,9%) e de água e esgoto (5,67%), que também irão impactar no índice inflacionário. Ele estima que o IPC fique entre 0,5% e 0,6%, caso os preços do grupo alimentos e bebidas se mantenham estáveis. Do contrário, a inflação pode ser superior a 1%.

mockup