Inflação em Curitiba chega ao dobro da média nacional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de maio de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
A inflação de Curitiba fechou abril em 1,46%, o dobro da média nacional, que ficou em 0,71%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da capital também foi o mais alto entre 13 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta acima da média se justifica pelo aumento de 12% para 18% da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da maior parte dos produtos no Paraná, que passou a valer em 1º de abril .
Para o coordenador do curso de economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, o aumento do ICMS impactou direto nos preços. No ano, o IPCA de Curitiba já acumula alta de 5,59%, a maior entre todas as regiões. Nos últimos 12 meses, a inflação da capital atingiu 9,28%, o segundo maior índice, só perdendo para o Rio de Janeiro (9,53%).
A pesquisa do IBGE mostra que a inflação dos alimentos foi de 2,34% em Curitiba em abril, acima da média nacional de 0,97%. Em 12 meses, os alimentos acumulam alta de 9,25% na capital. O reajuste dos remédios (7,87%), na cidade, também pressionou o resultado do grupo de saúde e cuidados pessoais, que teve aumento de 3,14% em abril. Ainda sob o impacto da alta da tarifa de energia, o grupo de habitação subiu 2,51% na capital paranaense, com alta de 21,88% em 12 meses. "O que preocupa é o custo de vida. A renda do trabalhador vai cair com a alta da inflação", disse Dezordi.
Brasil
No País, com o impacto maior do aumento da energia elétrica em março, a inflação ficou abaixo de 1% em abril. No entanto, no acumulado de 12 meses, soma 8,17%, maior alta desde dezembro de 2003, e bem acima do centro da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5% para o ano. De janeiro a abril deste ano, o acúmulo é de 4,56%.
O IPCA de abril, na média nacional, foi menor que o de março (1,32%), quando o aumento da energia tinha pesado muito na composição do índice. A energia vem subindo desde o início do ano, devido às bandeiras tarifárias, que buscam repassar ao consumidor os custos mais altos de geração devido à falta de chuvas.
O grupo com maior impacto de preços no País foi o de alimentação e bebidas, com 0,24%, após alta de 0,97%. Mas o que registrou maior variação no mês foi saúde e cuidados pessoais, com avanço de 1,32%. Dezordi acredita que, nos próximos meses, a inflação virá "um pouco mais bem comportada", mas prevê que o IPCA feche o ano entre 8,5% e 9%.
Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, existe um processo inflacionário gerado pela demanda por alimentos, que continua alta. E também os preços públicos que vem pressionando a inflação. Ele acredita que o aumento de preços será menos agressivo nos próximos meses em função da política monetária e fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Suzuki diz que a queda da inflação de abril em relação a março já mostra os primeiros efeitos da política de austeridade do governo federal. No entanto, ele acredita que ocorrerão novos aumentos de juros. "No segundo semestre, a inflação acumulada em 12 meses será um pouco menos elevada. Mas, o cenário de inflação ainda requer muita atenção do Banco Central."


