Armínio Fraga reforçou ontem, em sua carta que a projeção da inflação em 2002 é de 3,7% e de 2,5% para 2003. As estimativas foram feitas supondo que os juros seriam mantidos em 19% ao ano e a taxa de câmbio estável em cerca de R$ 2,35 por dólar. A meta de inflação este ano é de 3,5% e em 2003 de 3,25%.
O presidente do BC espera que em 2002 não se repitam, pelo menos na mesma intensidade, os choques que atingiram a economia brasileira no ano passado. Segundo ele, caso isso se confirme, a tendência é de que a inflação fique dentro da meta estabelecida.
Baseado nas estimativas do BC, Fraga espera uma queda em 2002 da inflação dos preços administrados e uma trajetória da taxa de câmbio que reflita, segundo ele, a combinação de redução do risco Brasil e menores taxas de juros internacionais.
Em 2001, a inflação dos preços administrados foi de 10,4%, puxada principalmente pelo aumento das tarifas de energia elétrica. A desvalorização do real respondeu por 2,9 pontos porcentuais da inflação de 2001, que fechou em 7,67%, de acordo com a variação do IPCA.
Segundo Fraga, projeta-se um aumento de 5,2% para os preços administrados este ano. Boa parte desse aumento ainda será influenciado pelo reajuste médio de 19% do preço da energia elétrica cobrada dos consumidores residenciais. Essa projeção menor para a inflação dos preços administrados se deve, parcialmente, ao reajuste dos derivados de petróleo que devem, de acordo com as perspectivas do BC, sofrer uma queda importante nos seus preços.
A liberação dos preços dos combustíveis no Brasil este ano também poderá ter um efeito positivo. ‘‘Na medida em que seja assegurada a concorrência no comércio de varejo dos derivados de petróleo, os preços ao consumidor deverão cair refletindo as reduções de preço no mercado atacadista’’, avaliou o presidente do BC.

mockup