A inflação sentida pelas famílias com renda de até 2,5 salários mínimos aumentou 0,68% em setembro em relação a agosto e segue acima do mesmo índice para o consumidor em geral. O balanço mostra que as famílias de baixa renda têm sentido mais no bolso, principalmente pela variação dos preços dos alimentos, item que responde por até 40% dos custos desta parcela da população, ante o máximo de 30% para os que recebem salários maiores.
Segundo o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que revela a inflação para pessoas com baixa renda, a alta de preços acumulada em 12 meses foi de 6,69%. Em comparação com o índice geral do Brasil, o IPC-BR, o crescimento no período foi de 5,73%.
O professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que há uma alta de preços nos alimentos momentânea, causada pela inflação nas commodities. Como o custo da soja e do milho aumentou no mercado internacional, devido a problemas climáticos, houve impacto em toda a cadeia alimentar. ''Carnes, frangos e suínos, por exemplo, são alimentados com esses produtos e encarecem.''
De acordo com o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná, o preço dos alimentos depende da demanda, de variações por questões como o clima e do mercado internacional. ''Não é um produto que dá para reduzir alíquotas, como os veículos. São oscilações que serão absorvidas como ocorreu com o tomate.''
Apesar disso, Moraes Neto diz que o preço dos alimentos deve cair nos próximos meses, o que pode aproximar o IPC-C1 do IPC-BR, como em outros anos. Em 2011, o índice para as classes mais baixas foi de 5,98%, enquanto o indicador geral foi de 6,36%. ''O IPC-C1 deve se ajustar em torno da média.''
Cordeiro conta que a alimentação foi o índice com maior influência sobre a inflação neste ano, mas a tendência é de queda. ''Diminuiu a pressão nos preços do atacado e deve ocorrer o mesmo com o varejo.''
Maiores vilões
Cinco classes de despesas, das oito que são pesquisadas, apresentaram preços mais caros em setembro pelo IPC-C1. As maiores variações foram nos alimentos, que foram de alta de 1,15% em agosto para 1,59% no mês passado, de vestuário, que foi de -0,37% para 0,63%, de comunicação, de 0,17% para 0,41%, despesas diversas, de 0,15% para 0,22%, e de transportes, de 0,02% para 0,04%.

Imagem ilustrativa da imagem Inflação é maior para classe mais baixa
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