Agência Estado
De São Paulo
O custo de vida aumentou mais para a classe média do que para a população de baixa renda, conforme mostram os dois índices de custo de vida do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As razões para a diferença foi a queda do preço dos alimentos no início do ano e o aumento dos automóveis no segundo semestre, que prejudicou mais os gastos da classe média, explicou a chefe do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Márcia Qunstlr.
Usado para calcular a inflação para famílias com renda de um a oito salários mínimos, onde o chefe é assalariado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 8,43% durante todo o ano passado. A taxa ficou pouco abaixo dos 8,94% de inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para as políticas de metas de inflação. O IPCA acompanha a inflação para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, sem que importe a forma como essa renda é obtida.
‘‘O peso dos alimentos é maior no INPC’’, explicou Márcia. Neste índice, os alimentos e as bebidas contribuem com 29,59% da taxa total de inflação. No IPCA, a contribuição é de 22,30%. A situação se inverte em relação ao automóvel novo: a importância do preço do produto é de 3,38% no IPCA e apenas 0,13% no INPC.
A diferença contribuiu para que, de abril a agosto, o INPC se distanciasse do IPCA, chegando a ficar 0,25 ponto percentual mais baixo, em maio e julho, por causa do recuo dos preços agrícolas, como reação pelos bons resultados da safra.

mockup