Inflação e juros caem a partir de setembro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - Menos inflação, menos crescimento e uma taxa de juros em queda a partir de setembro. Esse é o quadro traçado por mais de uma centena de analistas do mercado financeiro que participam da pesquisa semanal Focus, do Banco Central. Nesta semana, as projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2005 caíram pela quinta semana consecutiva, de 6,21% para 6,16%.
A queda ajudou a aumentar o otimismo em relação ao comportamento futuro da inflação e a consolidar a perspectiva de que a taxa de juros não deverá mesmo sofrer novas elevações neste ano. A previsão, em vez disso, é que a taxa já comece a recuar em setembro e venha a fechar o ano em 18% depois de ter se estabilizado em 19,75% na semana passada.
Nas últimas cinco semanas, as previsões de IPCA neste ano já apresentaram uma redução acumulada de 0,23 ponto porcentual depois de terem atingido o pico de 6,39%. A queda, entretanto, ainda não foi suficiente para trazer as estimativas para perto do objetivo de 5,1% perseguido pelo Copom. Por outro lado, está cada vez menor o risco de a inflação ficar acima do limite superior da meta de inflação deste ano (7%).
O juro alto terá como resultado um menor crescimento econômico. Para os participantes da pesquisa do BC, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá apresentar neste ano uma expansão de 3,10%. Na semana passada, as estimativas de aumento do PIB ainda estavam em 3,12%. No fim de março deste ano, o BC trabalhava com a hipótese de a economia apresentar neste ano uma expansão de 4%. Esta projeção será atualizada pelo BC até o fim do mês.
As previsões de IPCA para 2006, por sua vez, permaneceram estáveis em 5% pela 57 semana consecutiva. Apesar de estável, o porcentual estimado é superior ao centro da meta de 4,5% já fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o próximo ano.
Na reunião de maio, o Copom ainda trabalhava com a hipótese de a inflação do próximo ano vir a ficar abaixo dos 4,5%. No Relatório de Inflação divulgado em março, a estimativa de IPCA do BC para 2006 estava em 3,8%.
As expectativas de mercado para o reajuste dos preços administrados neste e no próximo ano também não se alteraram e continuaram em 7,60% e 6%, respectivamente. Apesar de estáveis, os porcentuais projetados são maiores que as estimativas usadas pelo Copom na reunião de maio. Naquele mês, os integrantes do Copom trabalhavam com um cenário de aumento de 7,3% dos administrados neste ano e de 5,1% em 2006. A disparidade das previsões para este ano pode ser explicada pelo fato de o Copom trabalhar com uma previsão de reajuste zero dos combustíveis neste ano.


