Inflação dos primeiros meses corroeu salários
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 2003
Ana Paula Grabois<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - Os salários dos empregados da indústria brasileira foram atingidos em cheio pela inflação alta ocorrida até os primeiros meses deste ano. Em termos nominais, a folha de pagamento industrial (total de salários, benefícios e encargos trabalhistas) registrou aumento de 9% em maio na comparação com o mesmo mês de 2002. Entretanto, com o desconto da inflação do período, a folha de pagamentos diminuiu 7%. ''A redução na folha de pagamento foi efeito da inflação corroendo os salários'', diz André Macêdo, economista da coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador de preços oficial do País, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou alta de 17,23% nos 12 meses encerrados em maio e 6,80% nos cinco primeiros meses de 2003.
Desde o início da série da pesquisa, em janeiro de 2002, o total da folha de pagamentos está em queda.
Já o valor médio da folha de pagamento industrial, que equivale ao salário que cada trabalhador recebeu, somados os encargos e benefícios, está há 12 meses encolhendo. Em relação a maio do ano passado, caiu 6,5%.
De acordo com o técnico do IBGE, o queda real do salário pago pela indústria também é reflexo do aumento do desemprego. Com o fechamento de postos de trabalho, diminui o poder de barganha do empregado para reajustar os salários.


