Inflação do trimestre é a maior desde 95
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Agência Folha Do Rio 
A inflação do terceiro trimestre do ano medida pelo IPCA-Especial foi de 3,25%, a mais alta taxa trimestral desde dezembro de 1995. O repique inflacionário detectado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ainda reflete a alta dos combustíveis, que fez da inflação de agosto (1,99%) a maior do ano, segundo o mesmo indicador.
A alta toda foi basicamente por causa dos combustíveis, disse ontem a técnica do IBGE Eulina dos Santos. No terceiro trimestre do ano passado, a taxa havia sido de 2,08%.
A única diferença entre o IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial) e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) usado no sistema de metas de inflação do governo é o período de coleta. A pesquisa de preços para medir o IPCA-E parou no dia 15 deste mês. Já a do IPCA de setembro, vai pegar o mês inteiro.
Apesar de já dar sinais de desaceleração em setembro o IPCA-E, por exemplo, caiu para 0,45% , a inflação tem provocado perdas reais nos salários dos últimos meses. Essas constatações aparecem em várias outras pesquisas do instituto relativas a emprego industrial. A inflação acumulada no ano, segundo o IPCA-E, está em 5,03%, e a nos últimos 12 meses até setembro, em 7,9%.
Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, professor do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), o IPCA oficial deverá ficar este ano entre 6% e 6,5%, já contando com um provável reajuste da gasolina.
Freitas disse que, se o governo não quiser gerar pressões sobre a meta de inflação para o próximo ano, que é de 4%, deveria escolher outubro ou novembro para o aumento da gasolina, já que são meses de baixos índices inflacionários. O esforço para reduzir a inflação de 6% para 4% é muito maior do que baixar de 8% para 6%, como foi este ano, disse.
O IBGE pesquisa preços do IPCA-E em 11 regiões do País. A maior variação do IPCA-E ficou com Goiânia (4,27%) e, a mais baixa, com o Rio de Janeiro (2,63%). Em São Paulo, a variação (3,41%) também superou a média nacional.


