O Plano Real completou seis anos em junho com uma inflação acumulada de 90,11%. Os números foram divulgados ontem pelo Dieese, tomando por base o Índice do Custo de Vida (ICV) no município de São Paulo. A Educação e Leitura lideram o ranking, com 200,6%. Segundo técnicos do Dieese, a principal causa foi a alta na educação (222,3%), principalmente nas mensalidades escolares (266,3%).
Na sequência aparece o grupo da Habitação, que subiu 195,8%. O aumento foi puxado no subgrupo locação, impostos e condomínios (409,7%), com destaque, conforme os analistas, para o aluguel, elevado em 429,7%.
Em terceiro lugar entre os seis grupos investigados ficou a Saúde, que subiu 163,1%. Os medicamentos e produtos farmacêuticos foram reajustados em 118,4%, bem acima da inflação geral, mas ainda o que subiu mais no setor foi a assistência médica com 194,2%.
O grupo Transportes teve um aumento de 98,1%. Embora o aumento dos combustíveis tenha sido de 111,3%, os coletivos foram o que mais subiram, 149,5%. Já as tarifas de ônibus foram reajustadas em 172,8%.
Ainda de acordo com os índices do Dieese, a alimentação teve alta de 54,4%, ficando abaixo da média geral. O que pressionou a baixa, conforme os técnicos, deve ter sido a concorrência externa na indústria alimentícia, que fechou o sexto ano com reajuste de 36,5%. A alimentação fora do domicílio subiu 87,6% e os produtos ‘‘in natura’’ e semi-elaborados 68,9%.
A boa notícia mesmo ao consumidor fica por conta do grupo Vestuário, que registrou um percentual negativo de -0,50%. O Dieese atribui a retração à concorrência, notadamente no começo do Plano Real, com os produtos importados. Conclui-se, portanto, que a economia nacional tende a beneficiar mais os setores prestadores de serviços, como a educação, assistência médica e alimentação fora do domicílio.
Segundo o economista, o grande problema é que as pessoas sempre têm a sensação de que a inflação é maior do que apontam as pesquisas. Ele explica que isso ocorre, pois ao longo do tempo o brasileiro foi perdendo o poder aquisitivo. No ano passado, havia caído 5% em relação ao início do Plano Real. Vale considerar ainda que a inflação não leva em conta a taxa de juros, que incide sobre os gastos mensais dos trabalhadores. (José Marinho e Carmem Murara)

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