Inflação do IGP-10 dispara e fecha março em 0,67%
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quinta-feira, 17 de março de 2005
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A disparada de preços dos produtos agrícolas no atacado (de queda de 0,21% para alta de 2,67%) fez a inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) mais do que dobrar de fevereiro para março, passando de 0,31% para 0 67%. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o resultado, que ficou acima das expectativas do mercado financeiro, foi a maior taxa do ano nesse tipo de indicador. Mas o coordenador de Análises Econômicas da instituição, Salomão Quadros, avalia que a alta é consequência de fatores sazonais e localizados e não reflete aumento generalizado de preços. ''Os agrícolas, principalmente os alimentos in natura, são sujeitos aos problemas climáticos da época de verão. Mas isso é passageiro'', disse.
Quadros descartou ainda qualquer relação entre a elevação do IGP-10 de março, cujo período de coleta de preços foi do dia 11 de fevereiro a 10 de março, e as razões para o aumento de meio ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) anunciada na quarta-feira pelo Conselho de Política Monetária (Copom). ''Acho que são duas coisas diferentes. Quando se fala de política monetária, se fala de um horizonte mais amplo, de um período de tempo maior, de expectativas. Aqui (no IGP-10), estamos pegando uma medida pontual de inflação, que é mais sujeito a oscilações. O fato de ter tido essa elevação não quer dizer que estamos entrando em uma trajetória sustentável e contínua de alta de preços'', disse.
Entre os destaques de alta no atacado estão ovos (33 88%); café em coco (9,88%) e manga (64,19%). O avanço dos preços dos produtos agrícolas no atacado fez o Índice de Preços por Atacado (IPA-10) subir para 0,70%, ante alta de 0,17% em fevereiro. Como exemplo de que a alta de preços no atacado é localizada nos agrícolas, Quadros citou o comportamento dos produtos industriais, segmento que abrange insumos para indústria e cujos preços recuaram para 0,03% em março, ante alta de 0,30% em fevereiro. O economista não quis fazer previsões para o IGP-10 de abril. ''O que posso dizer é que, fundamentos para uma alta sustentável (de preços), a gente não encontra. É o máximo que posso dizer'', disse.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) assumiu trajetória contrária ante o cenário do atacado e recuou para taxa positiva de 0,57% em março, ante aumento de 0,66% em fevereiro.
Quadros explicou que o resultado foi beneficiado pela menor variação de preços no grupo Educação, Leitura e Recreação (de 2,42% para 0,35%), que não está mais pressionado pelo período de reajustes das mensalidades escolares, realizado historicamente no início do ano.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-10) passou de 0,47% para 0,71% de fevereiro para março. O IGP-10 acumula altas de 1,41% no ano; e de 11,10% em 12 meses.


