Rio de Janeiro - Beneficiada pela queda nos preços dos alimentos (-2,19%), a inflação do idoso despencou no segundo trimestre deste ano, com alta de apenas 0,07%, ante aumento de 0,82% no primeiro trimestre de 2006. A informação foi divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede o impacto da inflação nas famílias com pessoas acima de 60 anos de idade.
O economista da FGV, André Braz, comentou que a queda nos preços dos alimentos foi praticamente generalizada no segundo trimestre. Isso influenciou muito o resultado do indicador de inflação da terceira idade. ''No âmbito do IPC-3i, dos 20 itens alimentícios pesquisados, 16 registraram taxas negativas no último trimestre'', disse o economista.
Os destaques no setor ficaram por conta dos alimentos in natura. De acordo com Braz, no trimestre, houve quedas fortes em preços de peso na formação da inflação, como frutas (-13,15%); e hortaliças e legumes (-2,44%) - principalmente batata inglesa (-16,85%). Na avaliação do economista, a taxa do IPC-3i só não foi menor, devido à aceleração nos preços de habitação (de 0,37% para 1,04%) e de saúde e cuidados pessoais (de 1,51% para 2,70%), na passagem do primeiro trimestre para o segundo trimestre deste ano.
Entre as pressões, Braz citou os aumentos registrados em luz, gás e telefone (0,93%); e plano e seguro saúde (3,66%) - que influenciaram, respectivamente os grupos de habitação e de saúde e cuidados pessoais. Ele lembrou que, no indicador que mensura a inflação do idoso, preços administrados e itens relacionados à saúde têm um peso muito expressivo.
''Mas esse indicador do idoso poderia ter registrado até deflação, no segundo trimestre. Porém, houve pressões muito importantes nesses dois grupos citados, que puxaram o índice para cima'', acrescentou o economista. Ao comentar o bom cenário da inflação do varejo, nos últimos três meses, ele lembrou, no segundo trimestre deste ano, a taxa do IPC-Brasil, que mede a inflação total do varejo, registrou queda acumulada de 0,23% - também influenciada por queda nos preços dos alimentos.

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