Inflação do ano pode chegar a 9%
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Agência Folha 
Brasília A alta do dólar já coloca em risco o cumprimento da meta central de inflação do ano que vem, de acordo com o Banco Central. Nas contas do BC, a alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2003 deve ficar acima dos 4% fixados pela meta do governo.
A estimativa está na ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) que, na semana passada, decidiu manter os juros básicos da economia em 18% ao ano. Segundo o documento, a alta da inflação foi um dos principais obstáculos à redução da taxa.
É a primeira vez que o BC projeta uma inflação acima de 4% para o ano que vem, embora não diga qual é exatamente a projeção. Isso não significa que haverá um descumprimento da meta, pois ela tem uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Essa meta, porém, pode ser modificada pelo próximo presidente. Uma eventual modificação nesse sistema pode ser feito por meio de um decreto da Presidência que autorize o Conselho Monetário Nacional a fazer as alterações que forem necessárias.
Foi o que aconteceu neste ano, quando um decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou o CMN a mudar de 3,25% para 4% a meta fixada para 2003. Além disso, a margem de tolerância foi aumentada em 0,5 ponto percentual.
A meta deste ano, de 3,5%, não será cumprida. Segundo o BC, a inflação ficará ''significativamente acima'' dos 5,5% fixados pelo teto da meta de 2002. No acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o IPCA deste ano pode chegar a 9%.
Segundo o BC, o principal motivo do aumento da inflação é a alta do dólar, que tem afetado os preços praticados na economia. Ainda de acordo com o BC, a desvalorização do real ''reflete não só um ambiente internacional adverso, mas também dúvidas remanescentes por parte de alguns agentes econômicos quanto à coerência da política macroeconômica nos próximos anos''.


